Ministro da Agricultura propõe blindar Parmalat
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Brasília- O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, defendeu ontem a ''blindagem'' da filial brasileira da Parmalat para evitar os efeitos adversos da crise na matriz italiana. ''Se não houver essa blindagem, pode haver algum risco localizado'', explicou. Essa medida consistiria em evitar a remessa de recursos da filial brasileira para a Itália. ''Por isso, estou convocando os demais segmentos do sistema cooperativista e as demais empresas que operam na área para uma reunião'', completou.
Rodrigues contou ter ficado impressionado com a conversa que teve quinta-feira com o presidente da Parmalat no Brasil, Ricardo Gonçalves. Entre outros pontos, Gonçalves disse ao ministro que pretende viajar à Itália para propor a blindagem da filial brasileira. ''A sensação que ele me passou foi de segurança e que a blindagem será permitida'', afirmou. Rodrigues reafirmou que teme o efeito dominó. ''Alguns setores podem se aproveitar da situação'', completou.
O governo não estuda conceder empréstimos para a Parmalat ou para o sistema produtivo do País, repetiu o ministro. ''O que existe é a necessidade de revisão de todo o sistema de produção de leite, com base em três temas recorrentes: melhoria do padrão tecnológico para aumentar a produtividade, escala e agregação de valor'', explicou ele. A base para esse trabalho, reafirmou, é o cooperativismo.
O Brasil produzirá 22 bilhões de litros de leite em 2004, dos quais quase 8 bilhões estão na informalidade, relatou Rodrigues. ''É um número muito impressionante'', afirmou, ressaltando que o Ministério está ampliando a fiscalização para formalizar esta produção. A Parmalat compra menos de 5% do total.
Dependência - A crise da Parmalat, disse, preocupa mais sob dois aspectos: o efeito indireto que pode causar no mercado pela eventual queda de preços e a dependência regional que existe, pelo fato de a empresa ser o único comprador no noroeste do Rio de Janeiro e na região de Garanhuns, em Pernambuco. Para Rodrigues, o desafio do governo durante os desdobramentos da crise da Parmalat é garantir a permanência do produtor na atividade, especialmente o pequeno.
O risco, segundo ele, é que o pecuarista desestimulado com o não-pagamento pelo leite entregue à Parmalat ou pela redução de preços abata as vacas leiteiras. Ele lembrou que a entressafra começa em quatro meses, quando a produção será menor. ''Se os produtores reduzirem produção, vai faltar leite na entressafra'', afirmou.


