Brasília - A divulgação de um relatório da equipe econômica apontando um crescimento econômico de apenas 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano gerou ontem uma confusão no governo e obrigou o ministro do Planejamento, Guido Mantega, ir à público desautorizar a projeção do Ministério da Fazenda. A estimativa, mais pessimista do que a do próprio mercado, que está em 0,68%, foi feita pela Secretaria de Política Econômica (SPE), subordinada ao ministro Antônio Palocci, e incluída em um documento de programação financeira assinado por Mantega.
''Acho que eles estavam de mal humor, mas de qualquer forma este número não tem muita relevância'', afirmou o ministro do Planejamento, no final do dia, depois de a notícia já ter sido repercutida por várias horas no mercado financeiro. ''Acho essa previsão (0,4%) um pouco pessimista'', arrematou o ministro, opinando que o PIB crescerá cerca de 0,8% em 2003.
Na realidade, Mantega teve o cuidado de repetir o prognóstico feito no sábado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante reunião com os ministros na Granja do Torto. E tentou fugir da responsabilidade pela projeção que ele, mesmo que despercebidamente, avalizou no relatório do Planejamento e do Tesouro.
''A lei determina que as projeções econômicas do relatório sejam feitas pela SPE, mas essa não é a previsão do governo. O governo é mais do que a SPE'', disse Mantega, argumentando que não há uma obrigação de as projeçõs feitas pelos diferentes órgãos econômicos do governo coincidir.
Existem duas estimativas para o crescimento do PIB circulando no governo. A projeção de 0,8%, feita a partir dos sinais de retomada da atividade econômica, tem sido utilizada por muitos integrantes da equipe econômica. A projeção de 0,4%, que ainda aguarda os dados do PIB do terceiro trimestre para refazer suas projeções. O dado será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esta semana.

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