Ministro critica política econômica
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segunda-feira, 22 de setembro de 2003
Chico Santos<br>Agência Folha 
Rio No momento em que o governo arrocha a economia e concentra seu marketing nos programas compensatórios, o ministro do Trabalho, Jaques Wagner, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, destacaram, em seminário promovido pelo banco, as limitações das políticas assistenciais como instrumentos de inclusão social.
Wagner disse que ''inclusão se faz via geração de emprego, renda e salário''. O ministro disse que não estava fazendo ''palanque'' contra esses setores, mas alfinetou: ''O problema é como combinar isso com um desenvolvimento que seja inclusivo e não um desenvolvimento que aprofunde o processo de exclusão e que reste, como política social, apenas a política de combate à exclusão via programas de transferência de renda, que, na minha opinião, não só são insuficientes, mas profundamente pobres para aqueles que querem pensar uma civilização do terceiro milênio.''
O ministro disse que ''são insistentes as tentativas de afirmar que só é possível atrair investimentos, só é possível crescer admitindo-se uma precarização, uma absoluta desregulamentação do chamado mercado de trabalho''. Para ele, ''o desafio é produzir uma política econômica na qual o viés do trabalho, do emprego e da renda seja encarado como uma política mais inteligente de inclusão social''.
Lessa falou em ''exorcizar o recurso a políticas puramente compensatórias para combater a exclusão social''. Mais tarde, disse que ''a inclusão social é basicamente gerada pelo emprego'' e que ''as políticas compensatórias representam um substituto parcial e imperfeito da questão do emprego''.
Questionado se estava se referindo ao Fome Zero, Lessa disse que não estava ''avaliando'' esse programa. ''O ministro (da Segurança Alimentar) José Graziano diz sempre que o seu programa tem um pedaço emergencial e outro estrutural''. Ao ser indagado se achava que o governo estava dando enfoque excessivo às políticas compensatórias, Lessa respondeu: ''Espero que não.''
Ele acrescentou que, ao priorizar investimentos em infra-estrutura e lançar o Plano Plurianual de Investimentos (PPA) para o período 2004-2007, o governo está ''colocando em primeiro plano a idéia da retomada do crescimento e da geração de empregos''.
As declarações de Lessa e de Wagner foram feitas no seminário ''A Inclusão Social pelo Trabalho Decente e o Sistema de Fomento'', promovido pelo BNDES e realizado na sede do banco.
A maior parte dos palestrantes era formada por economistas defensores de políticas econômicas mais ativas por parte do Estado, como Ignacy Sachs. João Pedro Stedile, coordenador do MST, também participou do encontro.
Questionado se o seminário representava uma crítica ao governo, Lessa disse: ''Não representa nem uma crítica nem um apoio''. Segundo ele, o BNDES estava desempenhando seu papel de ''construir pautas para que a sociedade discuta''. Lessa acrescentou que o BNDES vai sempre seguir ''as determinações que vêm da Presidência e dos ministros''.


