Ministro critica o aumento da CPMF
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quinta-feira, 08 de outubro de 1998
Carmem Murara 
O ministro da Indústria e Comércio, José Botafogo Gonçalves, disse ontem, em Curitiba, que é contra o aumento da alíquota da CPMF (Contribuição Provisória de Movimentação Financeira), como propõe a equipe econômica do governo federal. A idéia é elevar a contribuição de 0,20% para 0,30% a fim de viabilizar uma maior captação de recursos. Sou contrário ao aumento de qualquer imposto. Aliás, eu e toda a torcida do Flamengo, disse o ministro, em tom de brincadeira. Gonçalves defendeu o aumento da base tributária como solução para recolher mais tributos, durante a abertura do seminário internacional sobre exportação para as pequenas e médias empresas.
O governo federal ainda não bateu o martelo quanto ao aumento de 50% no valor da CPMF, mas os empresários avaliam como uma situação irreversível, diante da situação econômica do País. O governo baixou uma série de medidas para conter gastos e em contrapartida quer aumentar a arredação. Gonçalves entende que está correta a política de cortar as despesas e aumentar a receita, mas não concordou com o método prestes a ser adotado.
Para uma consolidação do processo de reversão do déficit da balança comercial e para fortelecer a economia interna, retomando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o ministro da Indústria e Comércio repetiu o discurso adotado por todo o governo federal. A solução para o País é o amplo debate nacional para fazer as reformas necessárias, disse.
O ministro aposta nas reformas como uma maneira de desemperrar a economia nacional e facilitar as relações comerciais de grandes e pequenas empresas, tanto dentro quanto fora do País. Hoje, o excesso de taxas e entraves burocráticos torna-se um empecilho para a exportação.
Segundo o ministro, quem mais sofre são os pequenos e médios empresários que enfrentam as maiores dificuldades. A nossa desordem monetária atinge as grandes, mas principalmente as pequenas empresas, afirmou. Do total das exportações nacionais, apenas 3% são de pequenas empresas. Dados do Ministério da Indústria e Comércio indicam que 80% das vendas para o exterior estão concentradas em 500 grandes empresas.
Para estimular as exportações, o minsitro colocou alguns pontos básicos como a facilitação do crédito para os empresários. Mas ele ressaltou que não basta liberar financiamento, é necessário desburocratizar o processo de venda de mercadorias para o mercado externo e formar uma cultura exportadora no pequeno empresário. Os resultados no aumento da exportação, só irão aparecer a médio prazo.


