Brasília - Na véspera do anúncio da nova taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, defendeu ontem a manutenção da Selic em 19,25% ao ano. ''Acho que isso seria razoável para sinalizar o encerramento do ciclo de altas'', afirmou o ministro, após divulgar os dados sobre a criação de empregos formais em março, que mostraram queda na comparação com o ano passado tanto no mês (4,84%) quanto no trimestre (15,88%).
Berzoini criticou a política monetária e defendeu mudanças nas metas de inflação. Para o ministro, a eficácia da elevação dos juros como instrumento de controle da taxa de inflação é limitada porque ''cerca de um quarto dos índices inflacionários'' é determinado por tarifas públicas, petróleo e commodities - como é o caso do aço. ''São fatores que não estão sob o nosso controle'', afirmou.
Apesar da defesa intransigente que a equipe econômica faz do sistema de metas de inflação - que norteia as decisões sobre a fixação de juros pelo Banco Central -, o ministro afirmou que vê espaço dentro do governo para debater o tema, pois em última instância quem dá a palavra final é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''A equipe econômica tende a ser conservadora para não passar um sinal de muita flexibilidade'', argumentou Berzoini.
O ministro defendeu uma revisão das metas de inflação. Ele quer uma meta mais alta - que não especificou - ou, então, que a referência passe a ser uma taxa de inflação calculada apenas com base na evolução dos preços livres da economia, desconsiderando o reflexo das tarifas administradas ou a influência de preços externos.
''Se olharmos os preços livres, eles estão bastante comportados'', disse o ministro. Ele reconheceu que é importante o combate à inflação, mas destacou que isso deve ser feito ''reconhecendo-se também a realidade''. (I.S./AE)

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