Com autorização do presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, reuniu a imprensa ontem para acusar o PDT e o PT de terem comandado processos de privatização de empresas municipais de telefonia ‘‘a preço vil’’ em Londrina (Sercomtel) e Ribeirão Preto (Ceterp), respectivamente. No contra-ataque às acusações da Frente de Esquerdas - de que o leilão da Telebrás estaria sendo feito às pressas e que todo o processo de privatizações deveria ser alvo de uma auditoria -, Mendonça de Barros desafiou: ‘‘Essa auditoria deveria começar pelos maus negócios que o PT e o PDT fizeram, no caso do PT um negócio além de tudo ilegal.’’
O ministro referiu-se, especificamente, às vendas de ações da Centrais Telefônicas de Ribeirão Preto (Ceterp) e da Sercomtel, de Londrina. Trata-se das duas únicas empresas municipais de telecomunicações no País. A Ceterp teve 46,5% de suas ações, pertencentes ao município paulista de Ribeirão Preto, vendidas entre janeiro e julho de 1996, quando o prefeito da cidade era Antônio Palocci, hoje presidente do Diretório Estadual do PT de São Paulo. Quanto à Sercomtel, teve 45% de seu capital adquiridos pela energética estadual Copel, em 30 de abril último, por R$ 186 milhões. As ações pertenciam ao município de Londrina.
Segundo o ministro das Comunicações, as ações da Ceterp foram negociadas de forma a estabelecer um valor de R$ 784 por linha telefônica instalada, enquanto as da Sercomtel, por R$ 2.890 por linha instalada. Isso equivale, no caso de Ribeirão Preto, a apenas 16,4% do preço por linha estabelecido pelo governo federal para a venda das ações da Telesp (R$ 4.769,00 por linha instalada) e, no de Londrina, a 60,6% do preço por linha da Telesp. De acordo com o ministro, o preço da Ceterp ficou em apenas 24,5% do ‘‘benchmark’’ (média padrão internacional), que é de R$ 3.200 por linha instalada. A Sercomtel saiu a 90,31% do ‘‘benchmark’’.
‘‘No caso de Ribeirão Preto, além do preço vil a operação foi ilegal, pois os compradores dos 46,5% das ações ganharam direito de preferência na compra do controle do capital, o que é proibido pela lei 8.666, a lei das Licitações’’, acusou Mendonça de Barros. ‘‘Não sei se a operação em Londrina também foi ilegal, mas fui informado que, por trás da estatal que adquiriu as ações, existem também grupos privados’’, acrescentou.
O leilão das 19,26% das ações da Telebrás pertencentes ao governo está marcado para 29 de julho, com o preço mínimo estipulado em R$ 13,4 milhões.

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