São Paulo - O ministro do Interior da Argentina, Jorge Matzkin, criticou ontem o Fundo Monetário Internacional (FMI) e assegurou que ''toda vez que vamos nos sentar, nos puxam a cadeira'', se referindo ao Fundo. Ele insistiu que as negociações com o FMI ainda não terminaram.
O país não pagou sua dívida com o Banco Mundial (Bird) na quinta-feira, depois que conversas para o reinício de ajuda do FMI não progrediram, por causa do temor da instituição de que Buenos Aires não cumpra suas promessas. O governo Eduardo Duhalde decidiu não pagar o valor total da parcela da dívida de US$ 805 milhões que o país tem com o Bird. A Argentina vai pagar apenas os juros dessa parcela, totalizando US$ 77 milhões.
O ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, disse na quinta-feira que esperava que um acordo com o FMI fosse alcançado em breve, algo que o país ainda não conseguiu após 11 meses de negociações.
Na próxima segunda-feira, o presidente Eduardo Duhalde irá tentar construir apoio político para um acordo através de encontros com governadores e líderes do Congresso.
Matzkin sustentou que a determinação do governo de Eduardo Duhalde de pagar quase US$ 80 milhões em juros da dívida ''é uma demonstração da vontade da Argentina de honrar seus compromissos''.
Ele disse acreditar que os organismos internacionais entenderam a vontade da Argentina de pagar suas dívidas. ''Mas para isso (pagar as dívidas) precisamos que nos facilitem tempos, prazos, formas, renegociação dos contratos.''
Matzkin justificou a decisão de não pagar a parcela total da dívida do Bird dizendo que honrar esse débito, ''quando as reservas internacionais não chegam a US$ 10 milhões, deixaria o país indefeso''.

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