"O Brasil no ano passado produziu 600 mil toneladas de peixe, enquanto Honduras, que é metade do Estado do Paraná, produziu 1 milhão de toneladas. Temos que mudar este cenário." Com esta declaração, o Ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, justificou sua visita ao Paraná e anunciou o investimento de R$ 18 milhões para o setor no Estado. Ele esteve nas cidades de Pinhalão, Santo Antônio da Platina, Ribeirão Claro e Cornélio Procópio, no Norte Pioneiro, onde visitou o maior frigorífico de peixe da região, que está sendo construído há oito anos e finalmente deve ser inaugurado em dezembro.
A visita começou logo cedo em Pinhalão, onde Crivella conheceu um projeto para o desenvolvimento de um parque industrial de peixes na região, que deve ter um frigorífico acoplado. Logo em seguida, em Santo Antônio da Platina, visitou uma escola agrícola cujo local deve servir para a implantação de um curso de engenharia de pesca pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Houve também a entrega a um piscicultor de um financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 250 mil.
A ideia do governo do Estado em parceria com o Ministério da Pesca é o desenvolvimento de um consórcio de fomento à aquicultura, que reunirá 76 municípios do Norte do Paraná e região de Campos Gerais. O objetivo do consórcio é implantar mais de 50 mil tanques escavados em 15 mil propriedades rurais, com uma produção máxima prevista de 240 toneladas diárias, trabalhando em três turnos. Não foi divulgado qual é o período estimado para atingir esta produção. "Vamos aplicar R$ 15 milhões neste consórcio. No ano passado, importamos US$ 1,3 bilhão do mercado de peixes do exterior. Com todo o potencial dos nossos recursos naturais, temos que incrementar a produção dentro do País", salientou Crivella.
Em Cornélio Procópio, a Associação de Piscicultores de Tanques Rede do Paraná (APTPR) luta há oito anos pela viabilidade do frigorífico. A estrutura, que já estava se tornando um "elefante branco", acabou sendo concluída e deve beneficiar, a partir do final deste ano, cerca de 30 associados. Crivella prometeu a aplicação de R$ 3 milhões em recursos para que o trabalho comece a funcionar de forma efetiva, com a ampliação de mais tanques rede. A obra, até agora, já custou R$ 3,5 milhões aos cofres públicos. "A capacidade de recebimento e abate de tilápias é de 50 toneladas por dia. Neste primeiro momento de produção, devemos começar com cerca de 4 toneladas, o que deve gerar por volta de 1.350 quilos de filé", calculou o presidente da APTPR, André Luciano Tostes.
O frigorífico em funcionamento deve beneficiar piscicultores de Bandeirantes, Uraí, Itambaracá, Andirá, Santa Amélia, entre outros municípios vizinhos. Atualmente, todos os associados devem possuir por volta de 1.415 tanques redes, que produzem cerca de 700 quilos de peixe por tanque. "Com o frigorífico funcionando, acreditamos que podemos incrementar nosso trabalho com mais 2 mil tanques redes. Entregamos o projeto nas mãos do ministro", complementou Tostes.

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