Vânia Casado
O ministro interino da Agricultura, Celso Matsuda, afastou ontem por 60 dias o delegado do ministério da Agricultura no Paraná, Mário Bezerra Guimarães. O comunicado chegou ontem à tarde por fax, assinado por Matsuda e pelo chefe de gabinete do ministério, Paulo Motta. Junto com Bezerra foram afastados o auxiliar do delegado, Paulo César Furiatti, e os funcionários envolvidos em caso de extorsão para liberação de mercadorias no Porto de Paranaguá, denunciados pelo presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Alceu Claro Chaves.
Matsuda designou como delegado interino, o médico veterinário Ailton Santos Silva. Foram afastados o chefe da Divisão de Defesa Agropecuária (DDA) da Delegacia Regional do Paraná, Samir Anuar Athe; o chefe do Serviço de Vigilância Agropecuária de Paranaguá, Lizuardo Antonio Delgado, e o chefe do serviço de fiscalização de Foz do Iguaçu, João Alberto Nakamura.
Matsuda argumentou na mensagem enviada por no fax que a medida foi ‘‘cautelar’’ para vigorar durante o período de trabalho da comissão nomeada para apurar as irregularidades e para que os funcionários possam se defender. As investigações vão garantir a defesa dos funcionários, que continuam recebendo seus vencimentos.
O presidente da Aciap, Alceu Claro Chaves, divulgou o teor das fitas gravadas que, segundo ele, comprovam o caso de extorsão. As fitas já estão em poder da Polícia Federal em Paranaguá. Chaves acusa os funcionários envolvidos de tentarem extorquir R$ 40.000,00 da Aciap para manter um acordo em que a entidade pagava o salário de seis funcionários no escritório da Vigilância Sanitária em Paranaguá, que emitiam os certificados fitossanitários para exportação dos produtos. Bezerra disse que ia acabar com esse acordo porque é ilegal e que o ato de fiscalização era indelegável e pertencia ao serviço público e não poderia ser exercido pela iniciativa privada para liberar seus próprios produtos.
Com a decisão de ontem do ministro interino Celso Matsuda, chega ao final a troca de acusações iniciada na segunda-feira, entre o presidente da Aciap, Alceu Claro Chaves, e o delegado do Ministério, Mário Bezerra Guimarães. A conclusão da sindicância é que vai confirmar o envolvimento dos funcionários do Ministério.

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