Ministro admite rever meta de crescimento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de maio de 2009
Eduardo Cucolo<br> Folhapress 
Brasília - O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse que o governo pode rever a meta de crescimento da economia para este ano, que é de 2%. Afirmou, no entanto, que a volatilidade provocada pela crise financeira dificulta uma estimativa precisa nesse momento.
A meta do governo está acima do crescimento de 1,2% previsto pelo Banco Central. Já o mercado financeiro prevê uma retração de 0,30%, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima uma queda de 1,3%.
Para o ministro, um crescimento menor neste ano ajudará o governo a alcançar o crescimento previsto para 2010, de 4,5%, já que a base de comparação será um Produto Interno Bruto (PIB - soma das riquezas produzidas no país) menor.
''Podemos fazer até uma revisão desse crescimento para este ano, mas eu não descartaria saltar de 2% neste ano para 4,5%, porque a base de comparação vai ser baixa'', afirmou o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados.
Fundo Soberano
O ministro afirmou que o governo vai preservar o dinheiro depositado no Fundo Soberano do Brasil, apesar da queda nas receitas prevista para este ano devido à desaceleração da economia.
O Fundo Soberano foi criado no ano passado, com o dinheiro do excesso na arrecadação verificado em 2008. De acordo com o ministro, o fundo deve chegar a R$ 18 bilhões em janeiro do próximo ano.
De acordo com Paulo Bernardo, a queda na arrecadação neste ano já levou o governo a fazer uma mudança no Orçamento por meio da redução do superávit primário em 2009 - economia que o governo faz para pagar os juros da dívida.
A meta para este ano foi reduzida de 3,8% para 2,5% do PIB, o que dá uma folga de quase R$ 80 bilhões para o governo. O governo já reduziu sua previsão de arrecadação em cerca de R$ 50 bilhões em relação à proposta original para o Orçamento deste ano.
''Não vamos lançar mão dos recursos do Fundo Soberano em 2009. Achamos que seria melhor fazer a modificação da meta para este ano. O Fundo vai ficar como uma poupança. Caso seja necessário, podemos fazer a utilização em 2010'', afirmou o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados.


