O ministro de Minas e Energia, José Jorge, admitiu ontem que o governo estuda a possibilidade de repassar para as tarifas de energia o prejuízo do setor elétrico com o racionamento. Segundo ele, a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) está avaliando o tema, levando em conta a legislação, que prevê reajustes anuais de tarifas, reajustes extraordinários para compensar grandes desequilíbrios financeiros e ainda reajustes periódicos em intervalos de três a quatro anos. ''Vai ser examinado'', disse Jorge. ''Mas se será repassado para as tarifas, eu não sei''.
O representante do Grupo Rede, Fernando Quartim, disse ontem, ao chegar ao Ministério de Minas e Energia para uma reunião interna da Secretaria de Energia do Ministério, que já se verifica inadimplência entre as distribuidoras de energia e seus credores, em função do racionamento de energia. Segundo ele, o déficit causado às distribuidoras pelo racionamento já está acima de R$ 1 bilhão.
Em sete meses de racionamento, o déficit das empresas, entre geradoras e distribuidoras, será segundo o empresário, de aproximadamente R$ 12 bilhões. Ainda segundo ele, esse déficit deverá ser repassado para as tarifas ou será pago pelo contribuinte.
O ministro de Minas e Energia disse ainda que o edital para a compra da energia emergencial produzida pelas usinas móveis será lançado hoje na sede da Eletrobrás no Rio de Janeiro. Segundo José Jorge, as empresas interessadas em vender energia terão um mês para apresentar as propostas de preço, cronograma e quantidade de energia a ser fornecida.
A empresa comercializadora de energia criada pelo governo será ligada ao Ministério de Minas e Energia. O ministro disse que não será fixada a quantidade de energia a ser comprada.
Anteriormente o governo chegou a prever a quantidade de 4 mil megawatts. De acordo com Jorge, a quantidade de energia a ser comprada será determinada pelas propostas a serem oferecidas.
A energia será comprada em lotes de no mínimo 10 megawatts e no máximo 250 megawatts. Para a região Nordeste, são necessárias pelo menos mil megawatts de energia em caráter emergencial. A expectativa do governo, segundo o ministro, é que a partir de outubro a empresa comercializadora esteja assinando os primeiros contratos de compra.

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