Ministro admite que desemprego pode crescer
As medidas adotadas recentemente pelo governo brasileiro para evitar um ataque especulativo contra o real vão reduzir o nível de atividade econômica e podem inclusive aumentar o nível de desemprego nos próximos meses, disse ontem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, durante a audiência pública na Câmara. O ponto é o seguinte: tem custo sim o que estamos fazendo. Vou falar francamente: vamos ter retração no nível de atividade nos próximos meses. É possível que tenhamos aumento de desemprego nos próximos meses, disse ele.
Em seguida, Malan afirmou: O que eu quero dizer é que esses custos são menores do que os que teríamos se não tivéssemos resistido ao ataque que nós sofremos nas últimas semanas.
Desde que começou a crise nos países do Sudeste Asiático, o governo elevou as taxas de juros básicas da economia - elevando o custo do dinheiro - e anunciou um pacote fiscal, que inclui aumento do Imposto de Renda, corte de gastos públicos e elevação de tarifas. Quando anunciou o pacote fiscal, o governo reviu para baixo a hipótese de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para o próximo ano. Passou de 4% para 2%.
Malan disse que a desaceleração no nível de atividade econômica deverá ser a mais breve possível. Mesmo assim, ele evitou fazer estimativas sobre quando o governo poderá reduzir a taxa de juros. Segundo ele, o governo não é infalível e ainda não é possível afirmar que a crise iniciada nos países do Sudeste Asiático já tenha acabado. Hoje, disse ele, a economia brasileira é acompanhada em tempo real. Essa crise reduziu o volume de crédito disponível no mercado internacional. Com isso, o Brasil poderia ter dificuldade para financiar seu déficit nas contas externas.
Assim, o governo teve que acelerar a solução desse problema. Ao reduzir o déficit nas contas do setor público, a situação das contas externas melhora, afirmou o ministro. Malan disse que o déficit na balança comercial deve fechar o ano abaixo de US$ 9 bilhões e será bem menor no próximo ano. Déficit na balança comercial acontece que as exportações do país são inferiores às importações.





