Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que a crise financeira internacional já era séria desde meados de 2007, mas se tornou mais grave no dia 14 de setembro de 2008, quando se constatou que o banco Lehman Brothers não teria apoio do governo dos Estados Unidos para evitar o pedido de concordata. ''Passamos de uma crise séria, para uma crise muito mais séria, para uma crise grave. O crédito secou completamente e se tornou difícil para as empresas renegociarem os títulos vincendos'', afirmou, em audiência no plenário da Câmara dos Deputados.
''No primeiro ano foi uma crise mais leve, que não mostrou toda a sua amplitude. Sabíamos que tinham ativos podres, mas não se sabia o tamanho do estrago'', disse. Ele destacou que, neste primeiro momento, a preocupação do Brasil era com o aumento dos preços das commodities, que estavam pressionando a inflação. Por isso, o governo, naquela ocasião, adotou medidas para reduzir o ritmo de crescimento econômico e evitar escalada da inflação, explicou Mantega.
O ministro lembrou que, a partir da quebra do Lehman Brothers, houve um desencadeamento de eventos afetando vários bancos nos EUA e na Europa, o que fez com que os governos começassem a atuar. ''Ocorreu, então, algo inédito na história do capitalismo: chegamos à estatização de bancos, o que no capitalismo é difícil de engolir'', afirmou. Mantega disse que, no Brasil, além da retração ao crédito, preocupou o governo a queda dos preços das commodities e a valorização do dólar.
Ele afirmou não acreditar que a crise esteja em vias de acabar. ''Acho que ela ainda vai se prolongar e ainda vai nos dar muita dor de cabeça'', declarou. Para o ministro, a fase mais aguda já passou e, por isso, a crise deve se acomodar.
Mantega afirmou que esses fatores resultarão na redução do crescimento da economia mundial. Ele lembrou que a economia brasileira em 2007 teve um crescimento de 5,4% e que começou 2008 acelerada. Portanto, segundo Mantega, a crise ainda não tinha afetado a economia brasileira. Porém, na fase atual, o ministro avalia que os impactos serão maiores. Ele lembrou que as linhas de Adiantamento de Contrato Cambial (ACC) praticamente secaram e que houve uma restrição de liquidez em real para as empresas brasileiras que não conseguem renegociar suas linhas de crédito com os bancos.
Além disso, o ministro prevê que com o aumento das taxas de juros subirá o custo financeiro para todo o setor produtivo.

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