Londres A ministra para o Comércio e Investimento da Grã-Bretanha, baronesa Symons of Verham Dean, fez ontem duras críticas ao protecionismo agrícola nos países ricos e garantiu que o governo britânico está determinado a promover políticas na Política Agrícola Comum (PAC) da União Européia (UE) que poderão beneficiar o acesso de produtos brasileiros. Ao discursar num almoço promovido pela Câmara Brasileira de Comércio na Grã-Bretanha, ela fez pesadas críticas à resistência de alguns países europeus em derrubar as barreiras comerciais do bloco.
''Cada cabeça de gado na União Européia recebe um subsídio diário de US$ 2 enquanto temos dezenas de milhões de pessoas no mundo que são obrigadas a sobreviver com a metade disso'', disse a baronesa Symons, que também é vice-líder da Câmara dos Lordes. ''A Europa precisa reformar a PAC para honrar os seus compromissos, inclusive para o avanço da rodada multilateral lançada no ano passado em Doha e ajudar os país em desenvolvimento.'' Segundo ela, mudar a PAC ''não é caridade, é promover justiça''.
Ao longo das últimas semanas, a PAC vem causando uma troca de farpas entre os governos britânico e francês. A França pretende adiar revisão da PAC que está sendo promovida pela Comissão Européia, o órgão executivo da UE. Essa reforma deverá mudar o foco da política agrária do bloco europeu da atual concessão de subsídios para a promoção do desenvolvimento rural. Há duas semanas, após uma acalorada discussão com o primeiro-ministro Tony Blair sobre o tema, o presidente Jacques Chirac cancelou um encontro de cúpula anglo-francês que estava previsto no final deste ano. O líder francês acusou Blair de tê-lo tratado com descortesia.
Desde então, os dois países decidiram realizar o encontro em janeiro próximo. A ministra qualificou como ''hipócrita'' a atitude de alguns países europeus em relação à queda dos subsídios agrícolas.

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