São Paulo A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, admitiu ontem a possibilidade de o governo federal abandonar o IGP-M e adotar índice de reajuste diferente para os novos contratos de fornecimento de energia elétrica. ''Estamos estudando essa possibilidade, mas não temos nada definido'', declarou Dilma, em entrevista realizada após sua participação na abertura do 3º Fórum Brasileiro de Energia Elétrica. A ministra ressaltou que o IGP-M continuará vigorando para os contratos antigos.
Ela lembrou que o modelo do setor elétrico foi pensado para ser indexado ao dólar e que 60% do IGP-M são preços do atacado, indexados à moeda norte-americana. ''Isso está no edital de privatização do BNDES''. Ela lembrou que existia, na época, uma paridade entre o dólar e o real ''e ninguém imaginava que a coisa não ia ser assim''. Segundo Dilma, essa indexação provoca um efeito duplo da variação do dólar, via taxa de câmbio e via IGP-M.
A questão da indexação do IGP-M foi incluída pela ministra entre ''uma combinação de fatores com o objetivo de elevar os preços médios da energia'', referindo-se ao modelo do setor elétrico adotado no governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo a ministra, as tarifas para o consumidor residencial subiram muito acima do IGP-M desde 1995. ''Apesar disso, se vê que muitos investidores não estão satisfeitos com essa remuneração'', disse.
Ele lembrou que houve uma eliminação de subsídios cruzados em 1995 que resultou em um salto das tarifas já no início, antes da indexação. E ainda houve a interpretação equivocada, na visão da ministra, de tratar tudo no setor elétrico como mercado. ''Há regiões no País que não têm mercado consumidor e com grande concentração de consumidores de baixa renda'', alertou Dilma.

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