Ministério vai investigar suposta pressão
O secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Alencar Ferreira, disse que expediu ontem um aviso interministerial para que o Ministério da Justiça investigue se o anúncio das demissões está sendo usado como ''uma forma de chantagem'' pela liberação dos oito diretores do grupo, detidos pela Polícia Federal na Operação Perseu, no dia 1º de dezembro. Segundo a gerência comercial da matriz, em Rio Verde (GO), a justificativa para as demissões seria que a prisão dos diretores da empresa teria deixado as unidades sem condições de gerenciamento já que a administração estaria centralizada nos detidos. ''As declarações de que a empresa precisa deles para continuar funcionando não soam bem. Ou são maus empresários ou isso é uma forma de pressão e, portanto, ilegal'', afirmou.
Segundo Alencar Ferreira, o Ministério está preocupado com a perda de 11 mil empregos mas não pode ceder a pressões. Ele disse que já conversou pessoalmente com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para que haja uma colaboração entre os ministérios no caso.
De acordo com um dos executivos do Margen, que pediu para não ser identificado, as demissões não são uma forma de pressão. ''É apenas a realidade. Sem eles (os diretores) não há como tocar a empresa'', disse. Segundo o executivo, um frigorífico funciona de maneira diferente de outras empresas. ''Nós compramos matéria-prima, no caso o boi, à vista. Como houve bloqueio judicial do capital, não podemos pagar. E só eles podem obter empréstimos'', justificou.
No final da tarde, chegou a informação que os diretores haviam sido liberados pela Justiça. Eles vão responder processos por sonegação fiscal, formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro em liberdade. (T.E.)





