Ministério do Trabalho vai demitir os 50 funcionários da Metalúrgica Unida Ltda, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, para que eles possam recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e solicitar o seguro-desemprego. Os trabalhadores tiveram uma desagradável surpresa na terça-feira de manhã, quando retornaram das férias coletivas de uma semana. Ao chegar ao trabalho encontraram o barracão onde funcionava a indústria abandonado. Todas as máquinas e equipamentos com algum valor tinha sido retirados. Nenhum diretor da empresa foi encontrado. Os funcionários não receberam o 13º salário e o pagamento do mês de dezembro.
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, José Roberto Athayde, disse que os empregados não têm muitas opções. Segundo ele, há um ano e meio a empresa não depositava o FGTS. ‘‘Descobrimos ainda que existiam uns dez funcionários sem registro.’’
Populares aproveitaram o abandono do imóvel para saquear mesas e balcões de trabalho que ainda estavam na fábrica. Os funcionários pensam em vender o que sobrou para arrecadar algum dinheiro. Por volta das 20 horas, o barracão foi incendiado e os bombeiros tratavam de apagar o fogo .
O ex-prefeito de Pinhais Siegfrid Boving, o Zico, é o fundador e possivelmente um dos donos da empresa. Moradores da vizinhança da metalúrgica disseram que na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, dois caminhões fizeram a retirada dos equipamentos. ‘‘Os vizinhos contaram que viram a mulher e o filho do Zico na noite da retirada’’, afirmou um dos metalúrgicos.
Antes do incêndio, os funcionários da metalúrgica fizeram vigília em frente à entrada da fábrica para evitar mais saques. O sindicato dos metalúrgicos recebeu a denúncia de que as máquinas teriam sido guardadas em um barracão em São José dos Pinhais. ‘‘Vamos com os funcionários até esse endereço para saber se a denúncia é verdadeira’’, disse o diretor do sindicato. ‘‘O pior é que os donos dessas empresas arrumam outro barracão e conseguem continuar atuando no mercado, mesmo depois de um golpe contra os trabalhadores.’’
Os trabalhadores dizem que houve má-fé dos proprietários. ‘‘Eles deram férias coletivas no dia 21, no dia 22 houve um churrasco de despedida e dois dias depois eles entraram aqui e retiraram tudo o que tinha de valor’’, conta o metalúrgico João Batista de Pádua. Zico Boving e Rosane Lopes não foram encontrados pela reportagem da Folha. A metalúrgica Unida produzia lustres, arandelas, abajures, porta-retratos e adereços de metais há 24 anos.

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