Ministério vai demitir metalúrgicos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de janeiro de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Ministério do Trabalho vai demitir os 50 funcionários da Metalúrgica Unida Ltda, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, para que eles possam recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e solicitar o seguro-desemprego. Os trabalhadores tiveram uma desagradável surpresa na terça-feira de manhã, quando retornaram das férias coletivas de uma semana. Ao chegar ao trabalho encontraram o barracão onde funcionava a indústria abandonado. Todas as máquinas e equipamentos com algum valor tinha sido retirados. Nenhum diretor da empresa foi encontrado. Os funcionários não receberam o 13º salário e o pagamento do mês de dezembro.
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, José Roberto Athayde, disse que os empregados não têm muitas opções. Segundo ele, há um ano e meio a empresa não depositava o FGTS. Descobrimos ainda que existiam uns dez funcionários sem registro.
Populares aproveitaram o abandono do imóvel para saquear mesas e balcões de trabalho que ainda estavam na fábrica. Os funcionários pensam em vender o que sobrou para arrecadar algum dinheiro. Por volta das 20 horas, o barracão foi incendiado e os bombeiros tratavam de apagar o fogo .
O ex-prefeito de Pinhais Siegfrid Boving, o Zico, é o fundador e possivelmente um dos donos da empresa. Moradores da vizinhança da metalúrgica disseram que na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, dois caminhões fizeram a retirada dos equipamentos. Os vizinhos contaram que viram a mulher e o filho do Zico na noite da retirada, afirmou um dos metalúrgicos.
Antes do incêndio, os funcionários da metalúrgica fizeram vigília em frente à entrada da fábrica para evitar mais saques. O sindicato dos metalúrgicos recebeu a denúncia de que as máquinas teriam sido guardadas em um barracão em São José dos Pinhais. Vamos com os funcionários até esse endereço para saber se a denúncia é verdadeira, disse o diretor do sindicato. O pior é que os donos dessas empresas arrumam outro barracão e conseguem continuar atuando no mercado, mesmo depois de um golpe contra os trabalhadores.
Os trabalhadores dizem que houve má-fé dos proprietários. Eles deram férias coletivas no dia 21, no dia 22 houve um churrasco de despedida e dois dias depois eles entraram aqui e retiraram tudo o que tinha de valor, conta o metalúrgico João Batista de Pádua. Zico Boving e Rosane Lopes não foram encontrados pela reportagem da Folha. A metalúrgica Unida produzia lustres, arandelas, abajures, porta-retratos e adereços de metais há 24 anos.


