Ministério tenta acordo para soja transgênica
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segunda-feira, 01 de março de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Estado admitiu ontem pela primeira vez que o Paraná poderá receber a declaração de que é ''parcialmente livre do plantio de soja transgênica'', como quer o Ministério da Agricultura. A informação é do vice-governador e secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Orlando Pessuti (PMDB), que ouviu essa proposta em caráter informal quando esteve na 7 Conferência Internacional de Pesquisa da Soja, na noite do último domingo em Foz do Iguaçu.
Durante o encontro, o ministro Roberto Rodrigues declarou que a certificação do Paraná de área livre de soja transgênica pode ser emitida por municípios. Isso porque 549 produtores assinaram com o Ministério da Agricultura o termo de ajuste de que iriam plantar a soja transgênica na atual safra (2003-2004). A Comissão Técnica de Biossegurança não emitiria a declaração, ''sendo que houve esse acordo com os produtores, evidenciando que o Paraná não está livre dos transgênicos'', disse o ministro.
Mas durante reunião de secretariado, realizada ontem pela manhã, o governador Requião voltou a afirmar que o Paraná receberá a declaração que é livre do plantio de transgênicos, conforme acordo informal dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com Pessuti, se o Ministério da Agricultura formalizar a proposta de declaração parcial, o Paraná vai avaliá-la tecnicamente e politicamente, sendo que a decisão cabe ao governador Roberto Requião (PMDB). Para ele, a proposta representa uma preparação para a próxima safra (2004/2005) quando o Paraná poderá ser declarado integralmente livre de soja transgênica, se houver a colaboração do ministério.
Se a proposta for concretizada, Pessuti calcula que pelo menos 300 dos 399 municípios paranaenses poderão ser declarados livre de transgênicos. Na sua avaliação, produtores de apenas 70 municípios teriam plantado a soja modificada geneticamente na atual safra. Ele disse que não sabe com exatidão o número de municípios porque não teve acesso ao relatório do termo de ajuste do Ministério da Agricultura.
O senador João Capiberibe (PSB), relator da CPI dos Transgênicos no Senado, que esteve ontem em Curitiba, declarou seu apoio ao governo do Estado e disse que os transgênicos podem contaminar a soja convencional do País, fazendo com que haja uma mistura irreversível.
Na Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), a intenção de emitir declaração parcial ao Paraná foi bem recebida. De acordo com o assessor econômico da entidade, Carlos Augustos Albuquerque, o Paraná tem regiões onde há plantio de soja pura como na região dos Campos Gerais e também na colonia de Entrerios, em Guarapuava. São regiões onde houve um disciplinamento por parte dos produtores. A Faep não garante que outras regiões não tenham o plantio de soja geneticamente modificada. Segundo Albuquerque, muito mais produtores paranaenses, além daqueles que assinaram o termo de ajuste com o Ministério da Agricultura, plantaram soja transgênica. (Com Vânia Casado)


