AtrasoSe os novos critérios vingarem, imunização do rebanho paranaense vai depender de ação em Estados vizinhos As ações que devem ser adotadas pelos Estados que estão em processo de erradicação de febre aftosa (restrições à entrada de animais, exames de sorologia, etc) deverão ser feitas em conjunto, daqui para frente. A decisão é do Ministério da Agricultura que descarta as ações isoladas para os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, apesar de exibirem estágio mais avançado no processo de erradicação da aftosa com mais de 24 meses sem o registro da doença. Os dois Estados tentam o reconhecimento de organismo internacional para serem declarados livres de aftosa.
Segundo o diretor de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, Aluísio Sathler, não há justificativa para que o processo de erradicação avance de forma isolada, por Estado. Pelo contrário, o avanço vai ocorrer de forma conjunta nas regiões. Os Estados vão adotar as mesmas medidas ‘‘para que os objetivos sejam atingidos de forma mais rápida’’, segundo ele. Sathler não acredita que o próximo passo - para o Paraná avançar no processo - seja a realização dos exames de sorologia, conforme expectativa da Secretaria da Agricultura e das entidades que vão compor o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária. Ele adiantou que esse assunto ainda está em definição; também não confirmou a assinatura de convênio em que o Ministério da Agricultura vai repassar R$ 7 milhões ao Paraná, para a Defesa Sanitária Animal. A assinatura do convênio estava sendo esperada para o próximo dia 28 em Brasília.
Para debater a ‘‘sintonia’’ entre os Estados nas ações de defesa sanitária animal e decidir sobre questões delicadas, como as barreiras interestaduais, estarão reunidos entre os dias 22 e 23 de julho, em Curitiba, os representantes do Circuito Pecuário Centro-Oeste de Erradicação da Febre Aftosa. Participam desse circuito os Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Minas Gerais e São Paulo. Trata-se da sétima reunião do Circuito Centro-Oeste e a primeira no Paraná.
Para Sathler, as medidas técnicas adotadas no processo de erradicação da febre aftosa devem ser cautelosas. Afinal, é a primeira vez que o País está recorrendo ao Instituto de Epizootia (OIE) para obter a declaração de área livre de febre aftosa, inicialmente para os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul que, segundo ele, deverá acontecer - se tudo correr bem - somente em 1998. Mas isso não significa que daqui para frente esses pedidos sejam feitos por Estado, mas sim por região.
Sathler explicou que os Estados do RS e SC foram os primeiros a terem o pedido confirmado pelo Ministério da Agricultura porque o Rio Grande do Sul está em boas condições sanitárias e faz limite com países que já erradicaram a doença. Por isso não faz sentido o Estado ficar isolado naquela área já que as atividades de comércio pecuário numa área geográfica são muito intensas. Mas essa iniciativa não justifica que daqui para frente os pedidos para o OIE sejam feitos em partes. Todos os países que recorrem à instituição enquadram a totalidade de seu território e não em partes como provavelmente vai acontecer com o Brasil. ‘‘Só que essa parcialidade vai avançar por região’’ - insistiu.
Questionado se a decisão não iria representar uma ducha fria entre os produtores do Paraná e do Mato Grosso do Sul que estão se esforçando para melhorar as condições de sanidade dos rebanhos, Sathler afirmou que não encara essa decisão do Mara como um desestímulo. Citou como exemplo o fato de o Distrito Federal estar há 4 anos sem registrar nenhum foco de febre aftosa e nem por isso está pleiteando ações de forma isolada. O DF será beneficiado quando a pecuária da região Centro-Oeste apresentar condições sanitárias compatíveis com as exigências do OIE.

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