Ministério registra soja transgênica
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Mariângela Heredia Agência Estado 
O Ministério da Agricultura deverá aprovar até segunda-feira o registro de cinco variedades de soja transgênica desenvolvidas pela multinacional Monsanto, permitindo a produção e comercialização das sementes geneticamente modificadas no País. Será a primeira autorização para plantio comercial de transgênicos no País.
Apesar da polêmica em relação ao assunto, o chefe do Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), Manoel Vasconcelos Neto, disse que o Ministério vai apenas cumprir a lei. O que temos de fazer agora é proteger e registrar as variedades, cumprindo nossa parte técnico-administrativa, afirmou, lembrando não haver decisão judicial que impeça a apresentação dos pedidos ao Ministério.
Os pedidos de proteção intelectual e registro das variedades M-SOY 8080 RR, 6363 RR, 7979 RR, 7777 RR e 8888 RR foram apresentados no dia 5 de maio pela Monsoy Ltda, uma das subsidiárias da Monsanto. O registro das variedades é condição essencial para a comercialização das sementes transgênicas no País.
De acordo com Vasconcelos, à primeira vista todas as exigências foram cumpridas pela empresa. Aparentemente não há nada que não recomende a inscrição das variedades no Registro Nacional de Cultivares, observou. A empresa apresentou os dados exigidos pela lei, o VCU (Valor de Cultivo e Uso), um grande conjunto de informações que inclui ensaios sobre produtividade, reação a pragas e doenças, indicações das regiões onde foram feitos testes de campo e tipos de solo utilizados. .
Com a inscrição no Registro Nacional de Cultivares, as entidades certificadoras de sementes nos Estados poderão autorizar a produção de soja transgênica. O chefe do Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC) acredita que se a empresa começar a plantar as sementes em maio, poderá oferecê-las ao mercado em outubro ou novembro, atingindo o período de plantio da próxima safra de verão.
De acordo com o chefe do SNPC, até o dia 5 de julho o Ministério poderá expedir certificados provisórios de proteção das cinco cultivares, se não ocorrer nenhum pedido de informações adicionais. Depois dos 60 dias, o Ministério divulgará aviso, tornando público que haverá prazo de 90 dias para possíveis impugnações e, só após esse período, serão liberados os certificados definitivos, que garantem os direitos da empresa detentora da tecnologia.
Debate na Faep Para esclarecer os produtores sobre plantas transgênicas, a Faep debate hoje, em Curitiba, as tecnologias de modificação genética nos alimentos, suas implicações e perspectivas. Foram convidados como palestrantes Miguel Guerra, coordenador da área de Biotecnia da Universidade de Santa Catarina (UFSC) e o professor Cláudio Puríssimo, da Universidade de Ponta Grossa (UEPG), PhD em Agronomia pela University of Illinois e secretário do Comitê Brasileiro de Resistência de Plantas aos Herbicidas.


