Curitiba - O Ministério da Agricultura e do Abastecimento está reforçando os mecanismos de prevenção contra a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a doença da vaca louca. A preocupação é que os pecuaristas caiam na tentação de fornecerem ração à base de proteína animal para os bovinos ou outros animais ruminantes. Esse tipo de ração é permitido para algumas espécies, mas proibida para ruminantes.
O preço do produto caiu muito no mercado e alguns pecuaristas, na tentativa de reduzir custos, podem dar esste tipo de ração, o que é proibido, avisou o fiscal agropecuário Alexandre Orio Bastos, da delegacia regional do Ministério da Agricultura no Paraná. As proteínas príon, consideradas as responsáveis pelo mal da vaca louca, se instala na carne e ossos dos animais e o manejo com esses produtos facilita a contaminação, explicou o fiscal.
O Ministério instalou uma linha telefônica - 0800-611995 - para que os pecuaristas e produtores possam denunciar vizinhos e conhecidos que fornecerem ração à base de proteína animal para ruminantes. Ainda não foram registradas denúncias. Segundo Bastos, o ministério está fiscalizando as fábricas de rações, ''mas sempre tem alguma empresa pequena que escapa'', admitiu.
Bastos não acredita que os precuaristas utilizem a ração animal para dar ao rebanho, ''mas é sempre um canal aberto que precisa ser controlado'', afirmou. O fiscal enfatizou que o risco de se ter a doença da vaca louca no Brasil é baixo, mas em caso dela acontecer, ''a severidade é altíssima e o caos se instala'', destacou.
Entre as consequências da doença, o País perde o mercado externo conquistado com esforço, além do rebanho ser praticamente dizimado, avisou. ''Por isso, é melhor para o Ministério adotar medidas preventivas do que permitir condições onde a trajédia pode acontecer''.
Outro fator que preocupa é que as autoridades sanitárias demoram a perceber a doença, que pode se manter incubada por até 10 anos. ''Por isso, a prevenção é o melhor remédio'', acentuou.
Na ração fornecida aos bovinos no Brasil prevalece o farelo de soja, de onde surgiu a conotação ''Boi Verde''. Por causa desse tipo de alimentação e da preocupação com a questão sanitária, a carne brasileira passou a ser mais valorizada no mercado externo o que justifica os saltos de exportação de carne ocorridos nos últimos dois anos. No vácuo da doença da vaca louca na Europa e Canadá, o Brasil superou a Austrália nas exportações e passou a ser o maior exportador de carne bovina do mundo.
No ano passado exportou 1,23 milhão de toneladas de carne e faturou US$ 2,54 bilhões, um aumento de 52% em volume e de 65% em faturamento em relação à 2003.

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