Carmem Murara
De Curitiba
A Justiça Federal recebeu ontem do Ministério Público Federal denúncia contra o ex-presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, por crime contra o Sistema Financeiro Nacional. O pedido para abertura de processo foi feito pelo procurador da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, com base em uma investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual. Garcia Cid é acusado de ter beneficiado a empresa Bauruense Serviços Gerais S/C em R$ 1,9 milhões, durante uma aplicação financeira. Ele nega as acusações e diz que agiu com cautela para não prejudicar ainda mais o Banestado, tentando evitar que um dos maiores clientes do banco trocasse de instituição financeira.
Por causa desta ação no Ministério Público Estadual, Neco Garcia já teve os bens sequestrados, após liminar do juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Salvatore Astuti, que reformou seu próprio despacho dois meses depois, reforçando a tese da defesa do ex-presidente do banco de que a operação foi legal. A ação judicial por improbidade administrativa serviu de embasamento para o Ministério Público Federal.
Segundo o procurador da República, Neco Garcia fez um ressarcimento irregular à Bauruense, pois teria interesse pessoal em beneficiar a empresa, que é de propriedade do empresário Airton Daré, seu amigo. A empresa era uma das maiores clientes do Banestado com um investimento de R$ 35 milhões, conforme informações dadas ontem pelo ex-presidente.
Neco Garcia reafirmou que agiu dentro da ética que lhe cabia no momento. ‘‘O banco autorizou o pagamento de uma pequena taxa acima de mercado à Daré, que era um dos maiores clientes do Banestado. Só que as taxas praticadas em Londrina não eram contabilizadas em Curitiba, por isso foi necessário consertar o erro’’.
Para se defender das acusações, Neco Garcia afirmou que agiu pensando em preservar o Banestado, que enfrentava sérios problemas de liquidez, tendo de recorrer ao sistema interbancário. Para fechar suas operações diárias, o Banestado tomava R$ 388 milhões ao dia.
No parecer da Procuradoria da República, o procurador faz uma acusação direta contra o ex-presidente do Banestado e contra Airton Daré. ‘‘Não satisfeito com os dividendos alcançados por suas aplicações junto ao Banestado, o sócio da empresa passou a pleitear o pagamento de indenização por supostas perdas ocorridas nos contratos de aplicação financeira’’, diz o relatório.

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