Ministério mantém barreiras sanitárias no PR
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sábado, 12 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar de o Paraná já estar comemorando o fato de não ter sido identificado o vírus da aftosa no rebanho bovino paranaense, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ainda considera o Estado como sendo uma área de risco e alerta que os resultados dos exames laboratoriais realizados não são conclusivos. O Mapa considera que os sintomas apresentados em 19 exemplares de bovinos eram similares ao da febre aftosa. Outro agravante é a origem dos animais que foram comprados no Mato Grosso do Sul (onde já foram detectados 22 focos de aftosa).
Em nota oficial, os técnicos do Departamento de Defesa Agropecuária do Mapa entendem que um diagnóstico conclusivo não se restringe aos exames laboratoriais, dependendo ainda das análises da sintomatologia e da origem dos bovinos. Na prática, nada munda em termos de barreiras fitossanitárias no Paraná que continuará impedido de comercializar a carne bovina nos demais estados brasileiros e no Exterior.
O diretor-geral da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), Newton Pohl, apresentou ontem um relatório preliminar que foi encaminhado ao Mercado Comum Europeu e que registra os exames laboratoriais negativos das amostras coletadas em bovinos de quatro municípios paranaenses com suspeição de ter aftosa.
Os exames foram feitos a partir de amostras coletadas entre 18 e 27 de outubro. ''Acredito que o Mapa está adotando um procedimento de precaução e de responsabilidade. É um excesso de zelo que poderá trazer prejuízos ainda mais sérios para os agropecuaristas paranaenses. Com o que temos até agora, volto a declarar: não há foco de febre aftosa no Paraná'', disse o diretor.
Os sintomas apresentados nos bovinos paranaenses, segundo ele, podem ser explicados por conta da vacina contra a aftosa (que tem pequenas porções do vírus) ou pelo estresse anormal que os bovinos foram submetidos nos leilões e exposições no Mato Grosso do Sul. Hoje, nenhum gado apresentaria qualquer sintoma semelhante ao da febre aftosa. Pohl acredita que o excesso de zelo dos técnicos do ministério tenha relação com a presença e a auditoria de técnicos internacionais no Estado. Cinco mil animais continuam interditados e isolados nas áreas sob suspeita dentro do Paraná.
Em entrevista à Folha, no final de outubro, o superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, Valmir Kowaleski, admitiu que dois tipos de doença que poderiam ter sido contraídas pelos animais paranaenses apresentam sintomas parecidos com os da aftosa: estomatite vesicular ou traqueíte infecciosa. Nos dois casos, os animais apresentam aftas na boca e estado febril.
O empresário do setor da carne e representante do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária, Péricles Salazar, pede a urgente flexibilização das restrições ao Paraná. ''Essas precauções tomadas pelo Mapa são excessivas. Não podemos continuar tendo carne sem poder vendê-la para Santa Catarina, tendo carne com osso sem poder mandar para São Paulo, tendo leite cru sem poder enviar para os paulistas. Estamos somando prejuízos incalculáveis. Existem exames laboratoriais e que comprovam que não tem aftosa no Paraná. O que estão esperando?'', questionou Salazar.


