de São Paulo
O Ministério da Indústria e Comércio (MICT) montou um diagnóstico da indústria nacional em um documento de 59 páginas. Neste trabalho, foram analisados os principais problemas dos órfãos da abertura da economia. Os setores mais afetados pelas importações estão sendo agora chamados pelo MICT para reuniões. Abaixo estão algumas das conclusões do trabalho:
qAutopeças - As 200 principais empresas do setor apresentam a ocorrência de prejuízos de até 7% ao ano desde 1990, exceto em 94, quando o lucro foi de 3%. Este quadro se deve às dificuldades de repasse de preços e ao alto custo financeiro. Nos segmentos que sofreram quedas de produção, como o de máquinas agrícolas, agravou-se ainda mais o problema dos fornecedores de peças. O emprego reduziu-se em 29.500 postos em 95. O MICT sugere aos empresários se habilitar ao uso dos incentivos do Regime Automotivo Brasileiro, tendo em vista que o número de adesões hoje atinge apenas 22% dos associados do Sindipeças. Além disso, o MICT pretende estimular o setor a engajar-se mais ativamente no Programa de Novos Pólos de Exportação. Vai propor também a criação de consórcios de compras de matérias-primas.

Lideranças
estão sendo
chamadas para
debater saídas


qMáquinas Agrícolas - ‘‘O setor passa por um período de grandes dificuldades em função da estagnação das vendas. O elenco de medidas tomadas até o momento não foi suficiente para reverter o quadro crítico por que passa o setor, que apresenta uma ociosidade ao redor dos 70%.’’ O MICT encaminhou recomendação ao BNDES de previsão de destinação de recursos do FAT/Finame em volume suficiente às necessidades de financiamento de tratores e máquinas agrícolas (30% superior ao de 96). Quer a elevação do prazo de carência no financiamento e de pagamento de 5 para 7 anos. Recomendação para que o Banco do Brasil deflagre a curto prazo financiamentos em novas bases de juros para o setor agrícola.
qBens de Capital - O setor sofre o crescente aumento das importações que, de 93 a 96, passaram de US$ 2,5 bilhões para US$ 6,6 bilhões, favorecidas pela sobrevalorização do real e vantajosas condições dos financiamentos externos. ‘‘Os efeitos do chamado Custo Brasil continuam pesando fortemente sobre a competitividade da indústria de bens de capital.’’ O MICT informa que já está em andamento um estudo para a redução da alíquota de importação de componentes das máquinas e equipamentos, além da equiparação às exportações, para efeitos tributários, das máquinas e equipamentos destinadas à comercialização em concorrências internacionais.
qNaval - O Brasil produz 5 navios/ano, com menos de 9 mil empregos diretos, com tendência de queda. Estão em construção apenas 3 navios em 2 estaleiros: Ilha e Caneco, no Rio, embora tenha havido alguma atividade em Itajaí (SC) e no Pará, que constrói pequenas embarcações. O parque industrial, com mais de 20 anos, carece de renovação. O MICT aconselha a criação de um programa de exportações; incentivo à reestruturação da indústria de navi-peças; redução dos custos portuários, e criação de condições de infra-estrutura portuária para passageiros (turismo).
qEletroeletrônicos - O segmento de telecomunicações é o de maior interesse imediato para o País e para os investidores estrangeiros. Para a sua modernização e expansão, as compras governamentais e privadas devem alcançar de US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões por ano até 2005. Salienta que o parque industrial brasileiro está desbalanceado. É forte na montagem de produtos finais, mas deficiente em componentes e microeletrônica. O déficit da balança comercial no complexo já é igual ao País. O setor domina as tecnologias mais tradicionais mas não as de ponta.

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