Ministério garante inspeção rígida
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério da Agricultura decidiu endurecer na fiscalização da qualidade da soja exportada em dez estados brasileiros exportadores do grão. No Paraná, os fiscais federais vão concentrar a fiscalização no Porto de Paranaguá e em locais onde o volume estocado é maior. Cerca de 16 fiscais federais vão percorrer todos os terminais graneleiros, armazéns e silos públicos e privados do porto. Inclusive o armazém da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Paranaguá, será vistoriado.
A empresa que for flagrada com soja contaminada por agrotóxicos terá a comercialização suspensa. No interior, o delegado do ministério no Paraná, Valmir Kowalewski de Souza, está concentrando o trabalho da fiscalização nos municípios de Cascavel, Maringá e Guarapuava, regiões que enviaram o maior número de caminhões com soja contaminada para o Porto de Paranaguá. Desde o início do mês, fiscais federais e a Empresa de Classificação do Paraná (Claspar) já rejeitaram a entrada no porto paranaense de 30 caminhões carregados com soja contaminada com fungicidas.
Ainda no porto, o Ministério da Agricultura colocou um técnico do ministério junto à Claspar para acompanhar o trabalho do órgão. A fiscalização também vai inspecionar o trânsito de caminhões por meio das barreiras móveis de controle nas fronteiras.
Kowaleski disse ainda que vai estender a fiscalização para as propriedades do sudoeste do Estado. Adiantou, porém, que vai restringir o trabalho dos fiscais nas grandes propriedades que têm silos e armazéns. O delegado reclamou da infra-estrutura reduzida que tem à disposição para fiscalizar todo o Estado. Ele conta com uma equipe de 32 fiscais federais, sendo que desses 16 já foram destacados para atuar em Paranaguá.
O delegado está aguardando a divulgação da instrução normativa do Ministério da Agricultura, indicando as normas e parâmetros aceitáveis para comercialização da soja. Os parâmetros trazem a tolerância aceitável de impurezas e de mistura acidental de sementes aos lotes de grãos.
Segundo Kowaleski, este ano está ocorrendo maior índice de mistura de sementes tratadas de soja aos lotes de grãos exportados. Isso porque houve demora na edição da legislação sobre produtos transgênicos e os produtores compraram as sementes convencionais. Com a edição da Medida Provisória dos transgênicos, muitos produtores compraram sementes contrabandeadas da região Sul e descartaram as sementes compradas juntos aos lotes de grãos destinados à exportação. Ocorre que as sementes são tratadas e trazem consigo um elevada carga de fungicidas, sendo inviáveis tanto para o consumo humano como animal.
O secretário de Apoio Rural e Cooperativismo, Manoel Valdemiro da Rocha, disse que os armazéns e silos que tiverem soja contaminada com fungicidas serão lacrados.


