Ministério faz 'megablitz' para apreender soja transgênica
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terça-feira, 19 de setembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A Delegacia do Ministério da Agricultura no Paraná deflagrou ontem uma megablitz para apreender sementes de soja transgênica que possam ser utilizadas no plantio da safra de verão 2000/2001. Quinze equipes com 45 fiscais estão percorrendo o comércio e propriedades em todo o Estado.
A operação deverá persistir durante duas semanas de forma intensiva e, depois, quando começar o plantio, o monitoramento nas propriedades e casas que vendem sementes será constante, informou Antonio Locatelli, chefe do Serviço de Sanidade Vegetal. O material coletado é enviado para análises na Universidade Federal do Paraná. Os resultados serão conhecidos na próxima semana.
A blitz é feita nos municípios de Ponta Grossa, Castro, Jacarezinho, Cornélio Procópio, Londrina, Apucarana, Maringá, Cianorte, Umuarama, Toledo, Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Francisco Beltrão e Palmas.
A medida é para impedir o plantio da soja transgênica, proibido por lei. Uma das hipóteses que está sendo averiguada é o desvio de material transgênico da pesquisa para o plantio comercial. A CTNbio - Comissão Técnica de Biossegurança - autoriza a soja transgênica apenas para pesquisa.
A blitz foi decidida no início do mês, após a apreensão de 60 sacas (60kg) de semente transgênica em Vera Cruz do Oeste, na propriedade de Décio Tomazinho Filho. A suspeita é que o produto foi contrabandeado da Argentina.
Na sexta-feira vence o prazo para que o agricultor apresente sua defesa. Se ele não se manifestar no período previsto, será julgado à revelia e terá a mercadoria destruída. Além disso, receberá uma multa de R$ 15 mil.
Permitimos ampla defesa por parte de produtores que transgridem as leis, mas se isso não ocorrer terá que se submeter às penalidades que são rigorosas, avisou.
Locatelli alertou que o produtor que usar material transgênico terá a lavoura destruída sem direito à indenização.
Avipar Enquanto esquenta a proibição do plantio de soja transgênica, a Associação dos Abatedouros Avícolas do Paraná - Avipar, está aguardando a edição de Medida Provisória do governo federal, autorizando a importação de milho da Argentina para uso em ração animal.
Essa operação vem sendo adiada pela entidade, que teme o embargo judicial das importações a pedido de ONGs que não querem o desembarque do produto nos portos brasileiros.
O presidente da Avipar, Paulo Muniz, confia na edição da MP para evitar problemas com a Justiça. A entidade planeja importar 50 mil t de milho durante os últimos três meses do ano, para evitar o desabastecimento para pequenas e médias granjas.


