Ministério faz leilão para contratos de milho
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quinta-feira, 15 de maio de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O leilão de contratos de opção de milho que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) promove hoje deve sinalizar ao mercado como ficará o preço do cereal no início do segundo semestre. A opinião é do engenheiro agrônomo Robson Mafioletti, analista técnico e econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Nos pregões realizados na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), serão disponibilizadas 397,98 mil toneladas a R$ 18,80 a saca de 60 quilos. O exercício dessas opções está programado para 15 de agosto, época do pico da colheita da safrinha. No dia 23 de maio, o governo realiza novo leilão de contratos de opção, com oferta de mais 400 mil toneladas. O prazo para exercício das opções será em setembro.
Mafioletti aposta que o leilão de hoje terá bastante procura. Segundo ele, se o clima não atrapalhar, a colheita do milho safrinha será boa. Além disso, o dólar está desvalorizando. ''Neste cenário, não há expectativa de alta na cotação do milho. Adquirir o contrato de opção é uma forma de proteger o preço'', explicou.
O analista de mercado Nagib Abudi Filho, diretor da Investidor Global, em Londrina, compartilha a mesma opinião. ''Presidentes de cooperativas e produtores deveriam comprar para fazer seguro do preço. Depois, se a cotação estiver melhor, basta não exercer a opção'', disse.
Ele não acredita, porém, que haja valorização da commodity. ''Estaremos em plena safra do milho safrinha. Haverá pressão de baixa nos preços'', avaliou Abudi Filho, lembrando que a conjuntura muda se houver geada durante o inverno, já que o clima desfavorável pode trazer quebra de safra, redução de oferta e consequente aumento no preço. No ano passado, geada e seca durante o desenvolvimento das lavouras prejudicaram a safrinha em 40% no Paraná.
Em 2003, o Mapa já ofertou 1,982 milhão de toneladas através dos leilões de contratos de opção. Deste montante, 726,3 mil toneladas foram absorvidas pelo governo.
Mafioletti comentou que a cadeia produtiva do milho espera que os leilões continuem sendo realizados para sustentar preços e manter o mercado em equilíbrio. ''O produtor não quer vender a saca a R$ 7,00, como em 2001. E a indústria não quer pagar R$ 25,00, como ocorreu no ano passado. O leilão sinaliza preços justos para todo o setor'', disse.
Principal consumidora do milho brasileiro, a indústria de produtos avícolas apóia as vendas dos contratos. Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), afirmou que os leilões têm a função de acalmar o mercado. ''Queremos que haja oferta de milho. Os preços praticados, se mantidos, são adequados'', ressaltou.
A preocupação do setor, porém, é com o comportamento do dólar, que define a paridade de exportação e acaba determinando os preços no mercado interno. ''Se o câmbio sobe, o milho também aumenta'', afirmou.
Sorgo Amanhã também será realizado leilão de contratos de opção de sorgo. A oferta é de 146,958 mil toneladas, com preços oscilando entre R$ 10,20 e R$ 13,20 a saca de 60 quilos. Até o momento, o governo já ofertou 585,9 mil toneladas, com a absorção de apenas 24,597 mil toneladas pelo mercado.


