O ministro do Trabalho, Edward Amadeo, afirmou onteme que deverá entregar nas próximas semanas ao presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘as recomendações e propostas’’ preparadas por uma ‘‘força-tarefa do governo’’ para combater o desemprego. Na verdade, duas das ‘‘recomendações’’ - as únicas mencionadas pelo ministro - são idéias já anunciadas pelo governo, mas implementadas de forma experimental.
Nas últimas semanas, a queda de FHC nas pesquisas eleitorais vem sendo acompanhada por esforços da equipe econômica em reafirmar propostas e medidas já adotadas pelo governo, principalmente para a geração de empregos.
Ontem, o próprio FHC decidiu anunciar o plano de financiamento da próxima safra agrícola. Nos anos anteriores, a tarefa era delegada aos ministros das áreas envolvidas. ‘‘Trata-se de um conjunto de recomendações e propostas, e não de novas medidas’’, disse Amadeo ontem, sobre as medidas contra o desemprego. ‘‘O presidente tem dito que, nessa área, não há milagres. Não adianta soltar fogos de artifícios.’’
Segundo Amadeo, esse ‘‘conjunto’’ está em elaboração há três meses. Uma das recomendações será a ampliação de um fundo de aval para pequenas e micro empresas, que funciona experimentalmente em apenas 52 municípios desde 1995.
Esse fundo serve como fiador para pequenos e micro empreendedores obterem crédito em condições mais favoráveis. Foi composto por R$ 50 milhões cedidos pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e suficientes para avalizar R$ 500 milhões em crédito.
Atualmente, esse saldo é de R$ 17 milhões, mas apenas 10% desses recursos estão comprometidos com os projetos. Segundo Edson Machado Monteiro, superintendente-executivo do Banco do Brasil, não seria necessário o aumento dos recursos disponíveis, mas apenas a disponibilização do fundo a empresas de mais municípios.
A outra idéia é a extensão do SAC (Serviço de Atendimento ao Cidadão) a cerca de 30 municípios. O SAC é um posto onde as pessoas podem ter acesso a alguns serviços públicos, retirar documentos e ainda se inscrever no seguro-desemprego, em cursos de requalificação e em ofertas de emprego.Arquivo FolhaCautelaO ministro do Trabalho, Edward Amadeo: ‘‘Nessa área, não há milagres’’Agência Folha

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