A inclusão da região Sul no plano de racionamento de energia está sendo avaliada pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE), com a contribuição da Secretaria de Energia do Rio Grande do Sul e de empresas locais, informou ontem Mário Santos, presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema), logo depois de terminada reunião da CGCE com o presidente Fernando Henrique Cardoso e nove ministros. O racionamento no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina poderá ocorrer dentro de 60 dias. O prazo tem como razão o atual estrangulamento da capacidade de transmissão de energia do Sul para o Sudeste, mas que será revertido em agosto, com a reinstalação de transformadores reformados na subestação de Tijuco Preto (SP).
O racionamento no Sul, entretanto, não teria apenas o objetivo de ampliar o fornecimento ao Sudeste. O ONS também alega que se preocupa com o período de estiagem na região, que começa no final do ano. ‘‘O Sul pode economizar agora para o seu período seco’’, argumentou Santos. A inclusão da região Norte também depende de sua capacidade de transmissão de energia para o Nordeste, que já está no limite de 1.000 MW/h. Além disso, a represa de Tucuruí está vertendo água, fato que indica o máximo de sua geração.
A Câmara de Gestão da Crise de Energia afastou ontem a possibilidade de apagões no Sudeste e no Centro-Oeste do País nos próximos meses. Entretanto, seus integrantes trabalham com o alto risco de elevação do racionamento de eletricidade no Nordeste e até mesmo de cortes generalizados na região em julho. As conclusões surgiram da análise de dados apresentados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), na reunião que contou com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘No Sudeste, fica cada vez mais longínqua a possibilidade de apagão’’, declarou Mário Santos. ‘‘Nenhuma medida pode ser afastada para se manter a confiabilidade do sistema elétrico. O apagão programado é uma terapêutica que queremos evitar e será aplicado em qualquer região, se for o mal menor’’, afirmou, ao ser questionado sobre a situação do Nordeste.
Segundo Santos, ainda não há necessidade de alteração da meta de 20% de redução de consumo para o Nordeste em junho. Ao longo do mês, entretanto, a CGCE vai definir metas semanais e mensais para os níveis dos reservatórios do Nordeste e a afluência de águas que os alimentam. Também será monitorado o cumprimento da redução de consumo de energia. Os resultados, no final do mês, deverão indicar se o racionamento terá de ser mais severo na região.
Os dados do ONS sobre o Nordeste mostram que as usinas hidrelétricas iniciam junho na mais crítica situação do País. Os níveis de água do reservatórios se mantém em 27,8% – ou 12,2 pontos porcentuais abaixo da margem de segurança. Diante disso, o operador montou a seguinte simulação para junho: com uma afluência de águas acima de 56% – o pior indicador anual medido nos últimos 70 anos – e com a continuidade da transmissão de 1.000 megawatts/hora do Norte, nada mudará na meta de redução do consumo de 20% para o Nordeste.
Em maio, a afluência na região alcançou apenas 40%. O mês também fechou com uma redução nula no consumo – a economia de 5% na última semana foi corroída, na média, pela alta utilização de energia na primeira quinzena. ‘‘Se ocorrer em junho o pior, que é uma afluência abaixo de 56%, teremos de reavaliar a meta para o Nordeste, que pode chegar a mais de 25%, ou tomar outra providência’’, declarou Santos.
Segundo o presidente do ONS, a decisão sobre alteração na meta ou mesmo sobre apagões no Nordeste será tomada pelo núcleo-executivo da CGCE. No caso do Sudeste e do Centro-Oeste, essas hipóteses são consideradas apenas como alternativas para situações imprevistas, como acidentes em linhas de transmissão. Os dados do operador sobre essas duas regiões indicam que os reservatórios das hidrelétricas chegaram a 29,7%, no final de maio. Próximo à meta de 30%, fixada pelo ONS.

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