Curitiba Publicada no dia 24 de janeiro de 2004 em Diário Oficial e implementada no início deste mês, a reforma administrativa e estrutural do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) começa a tomar corpo. Foram criadas secretarias especiais para cuidar de assuntos específicos e considerados estratégicos no Brasil para o fortalecimento do agronegócio. Técnicos estão sendo nomeados para assumir os cargos de diretoria. O perfil político das indicações acabou sendo substituído por critérios rigorosamente administrativos.
O ministro Roberto Rodrigues justifica a necessidade de mudanças com o crescimento expressivo do setor de agronegócios. Somente em janeiro, as exportações do setor totalizaram US$ 2,6 bilhões com um crescimento de 11,1% em relação ao mesmo período do ano passado. As importações totalizaram US$ 384 milhões. Isso significa que o superávit ficou em US$ 2,2 bilhões, ou seja, 13,3% acima do registrado em janeiro de 2004. O desempenho do setor no mês passado foi impulsionado pelo aumento das exportações de carnes (33,4%), açúcar e álcool (40,3%), café, chá, mate e especiarias (64,5%), madeiras (10,4%), couros, peles e calçados (18,7%), fumo e tabaco (203%).
''Com as mudanças, vamos modernizar a gestão dos processos de políticas públicas, buscando maior eficiência no atendimento à sociedade e, ao mesmo tempo, desenvolvendo um planejamento estratégico para o agronegócio brasileiro, tanto no mercado interno quanto no externo'', informou o ministro, através da assessoria de imprensa. Rodrigues está em viagem pela Alemanha e volta na semana que vem. Entre os novos órgãos criados estão a Assessoria de Gestão Estratégica, a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, a Ouvidoria, a Corregedoria e a Biblioteca Nacional de Agricultura.
A Secretaria de Produção e Comercialização foi ampliada e passou a se chamar Secretaria de Produção e Agroenergia. A Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo mudou para Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo. As delegacias federais foram transformadas em superintendências federais de agricultura, pecuária e abastecimento. A Secretaria de Defesa Agropecuária também foi fortalecida, ganhando seis departamentos e duas diretorias de programas e coordenações sistêmicas de atividades de defesa animal e vegetal. Foram revigoradas ainda as Câmaras Setoriais e Temáticas do agronegócio, com a criação de uma coordenação-geral ligada ao secretário-executivo Luís Carlos Guedes Pinto.
As mudanças no ministério agradaram o governo do Paraná. O vice-governador Orlando Pessuti, secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, disse que a reformulação era necessária e deverá contribuir para fazer com que o Brasil possa se aperfeiçoar no aprimoramente da defesa sanitária animal e vegetal. ''Muitos estados ainda estão atrasados. Temos que garantir que todos os estados estejam em sintonia com os anseios do governo federal para que o Brasil ocupe espaço definitivo no agronegócio internacional'', pontuou Pessuti.

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