Brasília - O Ministério da Agricultura confirmou ontem a ocorrência de febre aftosa no Paraná. A informação foi divulgada no início da tarde. O ministério avisou que mais detalhes estariam em nota a ser liberada no final da tarde após reunião da área técnica com o governo do Paraná. No início da noite, a assessoria de imprensa informou que informações sobre o Paraná só seriam divulgadas hoje.
O episódio é mais um capítulo no desencontro de informações sobre o assunto. A suspeita de febre aftosa no Paraná foi divulgada pelo governo do Estado no dia 21 de outubro. Amostras dos animais suspeitos foram enviados para exame no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), de Belém.
Com a demora na divulgação dos resultados - o laudo oficial de Mato Grosso do Sul foi emitido cinco dias depois do envio de material para o laboratório -, a confusão se instalou entre os governos federal e estadual.
O ministro Roberto Rodrigues, que a princípio dissera que havia 90% de chances de a suspeita ser confirmada e dias depois afirmou que o Paraná poderia não ter aftosa, chegou a declarar que estava ''quase procurando'' a doença.
Autoridades paranaenses, baseadas nos resultados dos exames, afirmaram no início de novembro que o Estado não tinha aftosa. O ministério então divulgou nota contradizendo a versão paranaense e afirmando que um diagnóstico conclusivo não se restringia a resultados de exames.
Dias depois, o secretário interino da Agricultura do Paraná, Newton Pohl Ribas, afirmou ter recebido a sugestão de técnicos do ministério para confirmar a existência da doença no Estado, mesmo sem resultados positivos. O ministério repudiou veementemente as declarações.
Chegou-se até a levantar a suspeita de fraude na coleta de amostras. Mais uma vez, nota do ministério negou de forma veemente.
A demora na definição do caso atrapalha na negociação da derrubada de embargos. Desde o anúncio dos focos da febre aftosa em Mato Grosso do Sul, no dia 10 de outubro, 52 países adotaram restrições a produtos brasileiros.
Rodrigues já afirmou que é preciso uma solução no Paraná antes de iniciar conversações com os compradores.
Ontem, o ministério anunciou que o governo uruguaio retirou o embargo sobre carnes bovina e suína de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e que o da Indonésia retirou as barreiras sobre o farelo de soja. Já a secretaria paulista alivia, a partir de hoje, as restrições à entrada de carne de alguns municípios do Paraná e de Mato Grosso do Sul.

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