Curitiba - A delegacia federal do Ministério da Agricultura do Paraná apreendeu 6,3 mil toneladas de um reagente químico que estava sendo desembarcado sem documentação pelo porto privado da Ponta do Félix, em Antonina. A apreensão ocorreu na última sexta-feira após denúncia da importação de material químico no mesmo terminal onde se embarcam carnes congeladas (boi e frango) para exportação.
A carga não estava acompanhada das licenças de importação, exigidas pelo ministério para que o órgão tenha informações sobre o andamento de reagentes químicos em toda a sua cadeia produtiva. Pela legislação, o governo federal precisa ser informado sobre a importação, qual o seu destino, e como será manuseado.
''Se não houver controle desse tipo de importação, as empresas podem estar importando material químico que pode ser utilizado para fabricar bombas e o governo não está atento para a gravidade da situação'', afirmou Álvaro Porfírio Santana, assessor do porto da família Matarazzo, também em Antonina. Segundo ele, a importação foi bem superior as 6 mil toneladas apreendidas pelo Ministério da Agricultura. Santana disse que o navio tinha capacidade para 30 mil toneladas e veio carregado com o reagente químico. Quando ele formalizou a denúncia para o ministério já havia sido descarregado 24 mil toneladas e ninguém sabe para onde foi a carga.
O reagente é um hidrogeno horto fosfato de cálcio que pode ser utilizado tanto como ingrediente ativo para compor a fórmula de fertilizantes como para ração animal, informou o delegado do Ministério da Agricultura, Valmir Kowaleski. A carga foi importada dos Estados Unidos (EUA) e estava num navio de bandeira cipriota. Segundo o delegado, a carga ficou retida no terminal e foram coletadas amostras para análises, enquanto o importador ainda tem condições de regularizar a documentação para internalizar a carga.
Kowaleski não quis identificar a empresa importadora, alegando que estava impedido pela legislação. Até agora foi registrado um auto de infração contra a empresa, que vai embasar a abertura de um processo administrativo, explicou o delegado.
Para Santana, o governo federal está sendo muito negligente com esse tipo de irregularidade, dando cobertura para a empresa se esconder no anonimato, ''o que dá margem para que esse procedimento possa se repetir o que é muito perigoso, ainda mais se tratando de produto químico que pode ser utilizado inclusive para fins criminosos''.
Outra gravidade dessa importação irregular, segundo Santana, é que o material químico está sendo desembarcado pelo terminal Ponta do Félix, mesmo terminal onde se embarcam as cargas congeladas de carnes, cujos compradores são extremamente exigentes no que se refere à sanidade da carga. Ocorre que o descarregamento de material químico é feito abertamente e o vento leva partículas para cargas congeladas que podem ser contaminadas, denunciou.

mockup