MINIPACOTES DE LULA - Ofensiva do governo para reanimar a economia do País continuam no papel
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sábado, 03 de abril de 2004
Patrícia Campos Mello<br> Agência Estado 
São Paulo - O pacote de medidas emergenciais de incentivo ao crédito, a ''ofensiva'' do governo para reanimar a economia, naufragou. A maioria dos programas anunciados pelo governo Lula no ano passado crédito para pequenas empresas, financiamento para eletrodomésticos, Modermaq teve um efeito pífio ou nem saiu do papel. O governo esperava injetar R$ 6 bilhões na economia com os principais programas, mas acabou liberando cerca de R$ 500 milhões.
Algumas iniciativas, como o empréstimo consignado para aposentados, anunciado no ano passado como ''uma verdadeira revolução no sistema de crédito do País'' pelo então ministro da Previdência Ricardo Berzoini, ainda não entraram em vigor. Outros, como o microcrédito (não incluído no cálculo), que poderia usar R$ 1,6 bilhão dos bancos, acabou emprestando pouco mais de R$ 300 milhões, segundo estimativas do mercado.
''Não adianta ter programas de crédito se a renda está em queda e os juros continuam altos; o trabalhador não vai querer se endividar'', diz Raul Velloso, especialista em Finanças Públicas. ''Fora isso, R$ 500 milhões é um valor insignificante diante do consumo dos brasileiros.''
Para o economista Joaquim Elói Cirne de Toledo, professor da Universidade de São Paulo, o governo errou ao optar por políticas contraditórias. ''Temos um carro com dois motoristas um breca e o outro acelera. Só que o motorista que breca é muito mais ágil'', compara.
O programa de crédito para a linha branca, por exemplo, foi um fiasco: emprestou apenas R$ 9 milhões dos R$ 200 milhões alocados pelo FAT.
Já o programa de crédito para compra de material de construção foi uma exceção. No Banco do Brasil, a linha teve desempenho surpreendente: o FAT destinou R$ 200 milhões, mas o banco emprestou R$ 373 milhões.


