Mínimo regional deve atender também servidores
Nas últimas semanas a Assembléia Legislativa do Paraná se transformou no principal palco de debates sobre o projeto de lei do governador Roberto Requião que implanta o salário mínimo regional de R$ 437. Considerado por alguns como demagogia política do governador, por ter sido apresentado às vésperas das eleições, o projeto exclui, estrategicamente, os servidores públicos.
Presidente do Sindicato das Empresas de Assessoria, Consultoria, Auditoria e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr) José Joaquim Ribeiro diz que hoje pouquíssimas empresas pagam apenas o salário mínimo de R$ 350,00. Há um equívoco nesta discussão. Hoje, além do salário, as empresas oferecem vários benefícios para o funcionário, seja uma cesta básica, o vale refeição, assistência de saúde, bônus salarial, etc. O que acontece é que se criou uma imagem de que esses benefícios não são parte integrante do rendimento monetário do funcionáriodiz Ribeiro, acrescentando: Se você perguntar para um operário que recebe R$ 350,00 por mês mais uma cesta básica e outros benefícios, quanto ele ganha, ele vai dizer que recebe R$ 350,00. Ele não entende que os benefícios fazem parte do rendimento salarial dele.
Segundo Ribeiro, as empresas preferem oferecer benefícios porque eles não incidem nos encargos sociais. O problema não está no salário e sim nos encargos sociais que em alguns casos chegam a ser de 100% sobre o valor recebido pelo funcionário. O que precisa acontecer é reduzir os impostos que incidem sobre a folha de pagamento, desta forma os empresários vão poder melhorar os salários dos funcionários. Não há outro caminho, comenta Ribeiro.
José Ribeiro afirma que, apesar de ser favorável ao mínimo regional, hoje apenas os bancos conseguem pagar melhor, pois, segundo ele, têm lucros absurdos, ao contrário das empresas produtivas. Hoje a briga entre sindicatos patronais e de trabalhadores é pela reposição da inflação. Aumento real só é possível quando há aumento de produtividade, o que não se configura neste momento, acrescenta Ribeiro.
Ele afirma, entretanto, que os servidores estaduais devem ser incluídos, do contrário fica caracterizado que a intenção do governador é usar o tema apenas como um propósito político deixando a conta para os empresários pagarem. Ribeiro observa ainda que é preciso deixar claro na lei que o salário mínimo regional não pode ser usado como base para negociação salarial de categorias que já ganham acima disso.
Na próxima semana o deputado estadual Barbosa Neto (PDT) pretende apresentar uma emenda ao projeto do governador determinando que também as prefeituras e o próprio governo adotem o salário de R$ 437,00 proposto para a iniciativa privada. Vamos abrir mais o debate. Sou a favor de melhorar o salário mas queremos que os servidores também sejam atendidos. Do jeito que está o projeto é demagogia do governo que quer criar despesas apenas para as empresas privadas, deixando os servidores de fora, afirma Barbosa.





