O governo deve aumentar o salário mínimo de R$ 120 para R$ 128 a partir de maio. Segundo líderes governistas na Câmara, o anúncio foi feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Com o aumento, FHC terá cumprido sua promessa de campanha de dobrar o valor do mínimo em seu mandato.
Em 9 de agosto de 94, o então candidato FHC disse que, com a aprovação da reforma da Previdência, seria possível dobrar o valor do salário mínimo até 98. Naquele mês, o mínimo em vigor era de R$ 64,79, embora já se soubesse que no mês seguinte o valor passaria a R$ 70.
Ainda que seja possível considerar que com o mínimo de R$ 128 FHC terá praticamente cumprido sua promessa, o valor efetivo de compra do salário registrará crescimento muito abaixo de 100%. Em dólar, por exemplo, o mínimo deverá subir pouco mais de 50%.
Caso se confirme o novo mínimo de R$ 128, a partir de maio, o salário terá reajuste de 6,66% sobre o valor atual - índice que deve superar a inflação do período de 12 meses desde o último reajuste.
O porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, afirmou ontem que o governo ainda não tomou decisão sobre o valor do novo salário mínimo. ‘‘Creio que é muito cedo ainda’’, disse Amaral. Segundo o porta-voz, o presidente não mencionou que tivesse tratado do assunto - reajuste do mínimo - durante a reunião com os líderes governistas, na tarde de ontem, no Palácio do Planalto.
O líder do PTB, Paulo Heslander (MG), defendeu que o mínimo deveria ser elevado a R$ 153. Segundo Heslander, o presidente ficou de estudar a proposta. O líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), afirmou que esse valor é impraticável, porque aumenta os gastos dos Estados e municípios com a folha de pagamento. ‘‘A Previdência não suportaria.’’
Na reunião, o presidente orientou os líderes a não votarem o projeto do deputado Paulo Paim (PT-RS). A proposta do deputado prevê um aumento de 74%. O salário mínimo passaria dos atuais R$ 120 para R$ 208. O projeto foi classificado como eleitoreiro e demagógico pelo governo. O deputado Paulo Paim já conseguiu mais de 400 assinaturas para dar uma tramitação de urgência ao projeto.

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