Mínimo injeta R$ 21 mi na economia do Paraná
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segunda-feira, 01 de abril de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
Londrina - Com o novo salário mínimo que entrou em vigor ontem e deve ser pago no quinto dia útil de maio, passarão a circular na economia paranaense cerca de R$ 21 milhões a mais mensalmente. O cálculo do Dieese refere-se apenas ao dinheiro relacionado diretamente ao aumento do salário, sem contabilizar os reajustes que ocorrerão nos ganhos de categorais que têm o mínimo como referência.
No Paraná, a procentagem de trabalhadores que vivem de salário mínimo não é expressiva. De acordo com o economista do Dieese, Cid Cordeiro, num universo de cerca de 1,4 milhão de trabalhadores formais, apenas 47 mil são registrados com o mínimo. Além deles, sobrevivem com salário mínimo 340 mil trabalhadores do mercado informal e 700 mil aposentados.
Segundo Cordeiro, dos R$ 21 milhões que entram em circulação a partir do próximo mês, apenas R$ 3 milhões seriam, de fato, adicionais. Os outros R$ 18 milhões apenas estariam recuperando o que a inflação já corroeu. Para o salário mínimo nunca houve uma medida que garantisse a reposição integral da inflação anual ou uma lei que obrigue o governo a atender o que diz a Constituição Federal, ou seja, que cubra as necessidades básicas do trabalhador, comenta Cordeiro.
De acordo com o último levantamento do Dieese, a cesta básica de alimentos para uma pessoa custava R$ 125,00 no Paraná, valor que deve ser multiplicado por três para uma família de quatro pessoas. O órgão calcula que para suprir todas as necessidades básicas do trabalhador e sua família, o mínimo deveria ser de R$ 1.084,00. Mas entendemos que a sociedade não suportaria esse aumento de uma só vez. O que o movimento sindical defende é que haja uma política própria para o salário mínimo, a ser implementada a longo prazo, diz Cordeiro.
Se o governo repetisse o que ocorreu em 2001, quando o mínimo ganhou um aumento real de 12%, ao final de 15 anos ele estaria em R$ 1.084,00. Ocorre que não há uma continuidade na política salarial, critica. Este ano o reajuste foi de 11,11%, sendo apenas 1,50% de aumento real.
Segundo Cordeiro, desde quando foi criado, em 1938, e pago pela primeira vez, em julho de 1940, o valor estipulado para o salário mínimo nunca supriu as necessidades básicas do trabalhador. No entanto, se fosse transportado para os dias atuais, seria o equivalente a R$ 500,00.


