O reajuste do salário mínimo provocou a alta de 0,42% da inflação de abril, medida pelo ândice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgaram ontem a taxa. A elevação de 11,03% do custo dos serviços das empregadas domésticas, por causa do novo mínimo, foi o principal fator de pressão no índice, usado para definir as metas de inflação anuais que o Banco Central (BC) tem de atingir, de acordo com a política monetária instituída em 1999.
A taxa do mês passado foi quase o dobro da registrada em março, de 0,22%, mas menor do que a variação de 0,56% medida pelo IBGE em abril de 1999. A variação acumulada dos últimos 12 meses recuou para 6,77%, contra 6,92% no período encerrado em março. ‘‘O resultado acumulado caiu porque deixou de contar a inflação de abril de 1999, de 0,56%, que ficou alto por causa da desvalorização’’, explicou Eulina. O índice acumulado do ano chegou a 1,40%, inferior à variação de 3,45% registrada nos primeiros quatro meses do ano passado – que também sofreram o maior impacto do fim do regime de câmbio fixo.
A técnica do IBGE lembrou que, embora tenha sido a maior contribuição inflacionária, o aumento do salário mínimo não deve ter impacto nas taxas dos próximos meses, e seus efeitos sobre os preços foram bem menores do que no passado. ‘‘Já foi o tempo em que o reajuste do mínimo se espalhava por toda a economia’’.
Eulina também ressalvou que o impacto deste aumento é baseado em uma estimativa, porque a correção do salário mínimo foi inteiramente repassado para o valor dos rendimentos das empregadas. Ela explicou que, por causa da grande rotatividade das empregadas, não é possível constatar a variação destes salários.
A variação de 0,09% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medida pelo IBGE, mostra a influência do mínimo. Como o índice mede o custo de vida para famílias de renda mais baixa, entre um e oito salários mínimos, o aumento concedido pelo governo não teve peso. Assim, a alta do INPC foi inferior a de 0,13% de março. Um indício desta mudança está na queda dos preços dos outros serviços em abril. A maior retração, de 1,73%, foi no preço do cabeleireiro, seguida das reduções de 0,19% do álcool, de 0,43% do telefone fixo e de 0,38% dos remédios. ‘‘É o efeito da competição’’, explicou Eulina. Ela acrescentou que o valor da gasolina teve uma queda de 0,22%.
Além do aumento dos salários das empregadas domésticas, as maiores altas captadas pelo IBGE, entre os produtos e serviços que excluem alimentos, foram dos artigos de vestuário (0,72%), por causa da entrada de novas coleções da temporada de outono e inverno. No mês passado, as roupas e calçados sofreram deflação de 1,44%. Também houve impacto das altas dos preços dos transportes (0,51%), por causa do reajuste dos automóveis e do ônibus no Rio, e de 1,36% dos artigos de limpeza.
Eulina apontou que, neste ano, o aumento dos remédios de 0,23%, é inferior à inflação acumulada de 1,40% do IPCA. ‘‘É inédito’’, afirmou a técnica. No ano passado, enquanto o IPCA ficou em 8,94%, os remédios tiveram reajuste de 16,36%. A queda dos preços dos alimentos continuou no mês passado, mas em ritmo menor, segundo o IBGE. A deflação destes produtos foi de 0,36%, quando, em março, os preços recuaram 0 46%.

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