Agência Estado
De Brasília
O PMDB juntou-se ontem ao coro do PSDB por um salário mínimo de R$ 160 e, com isso, isolou o PFL do senador Antonio Carlos Magalhães (BA), único partido da base que continua insistindo num valor de R$ 177. A decisão dos peemedebistas foi anunciada um dia depois de o líder tucano na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), ter irritado os pefelistas ao sair do Palácio do Planalto defendendo um mínimo de R$ 160.
A proposta do PSDB de elevar o salário mínimo dos atuais R$ 136 para R$ 160 vai custar aos cofres da Previdência Social R$ 6,4 bilhões em 12 meses, incluindo ainda o aumento de 7% para os demais benefícios previdenciários. Essa despesa é R$ 1,4 bilhão superior ao impacto estimado nas contas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) – um montante de R$ 5 bilhões, calculado pela equipe econômica, para conceder o mínimo de R$ 150.
Parte desse acréscimo nas despesas da Previdência Social já está prevista na proposta do Orçamento da União para este ano, em tramitação no Congresso. Há divergência sobre esses números. O Ministério da Previdência Social calcula que a elevação do salário mínimo para R$ 150 e a correção de 7% – o equivalente à inflação desde maio passado – nos demais benefícios aumentaria as despesas do INSS em mais R$ 3 bilhões anuais. O novo mínimo poderá ser anunciado em meados de março.
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, disse ontem ter ‘‘muita pena dos pobres que dependem do salário mínimo para sustentar a família’’. ‘‘O salário mínimo sempre foi inconstitucional, porque não satisfaz as necessidades do povo’’, declarou. Temer não quis sugerir um valor para o mínimo, argumentando ser preciso considerar o impacto do reajuste nas contas da União, Estados e Municípios.

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