Quase todos concordam que o valor do salário mínimo estipulado pelo governo federal deveria ser bem maior - exatos R$ 1.994,82, segundo cálculo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) - mas os especialistas garantem que se essa tarefa fosse delegada à iniciativa privada, os risco seriam ainda maiores para o trabalhador. Embora haja certa controvérsia, um reajuste acentuado do salário mínimo poderia gerar desemprego em massa em razão do impacto que teria junto às micros e pequenas empresas e um desequilíbrio ainda maior nas contas da Previdência.
''Se o valor fosse determinado pelo mercado, possivelmente muitas empresas e trabalhadores estariam dispostos a pagar ou a receber menos do que o mínimo atual'', analisa o professor e economista Azenil Staviski. Doutora em economia e também professora na UEL, a professora Fátima Campos reforça que o salário mínimo não cobre o que o trabalhador necessita mas concorda que ''ainda não é possível deixar (sua fixação) por conta do mercado'' e exemplifica: ''a liberalização dos reajustes contratuais de salários mais altos foi em prejuízo dos trabalhadores, porque desmantelou os sindicatos, que perderam força, e houve perda de rendimento real, principalmente entre aqueles com nível superior e pós-graduação''.
Há 40 anos analisando as oscilações do salário mínimo, o economista do Dieese, José Maurício Soares, ressalta que este é o primeiro período de mais de 15 anos que o poder de compra do salário mínimo só cresce. Mas acrescenta: ''Isso não é uma coisa muito extraordinária, porque ainda é um salário mínimo muito pequeno: se fizermos as contas, veremos que se tomar um café com manteiga por dia na padaria da esquina e comprar um sanduíche na hora do almoço, a conta será maior que o salário no final do mês'', calcula.
Contra o argumento de que um aumento exagerado do salário poderia provocar um aumento sem precedentes do déficit da Previdência Social - afinal são 17 milhões de aposentados e pensionistas que recebem o mínimo - e gerar um desemprego em massa por conta das demissões que haveriam nas micros e pequenas empresas - as que mais pagam salário mínimo no país -, Soares diz que ''é pura choradeira''. ''Se diminuissem os ganhos para os altos executivos e se distribuísse melhor a renda aumentando o mínimo, a contribuição à Previdência seria maior'', analisa. (L.A.)

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