Nenhum mísero metro quadrado do Programa Minha Casa Minha Vida foi aprovado pela Prefeitura neste ano. Em 2010, haviam sido 104 mil metros quadrados e, no ano passado, 734 metros quadrados. Segundo o presidente do Sinduscon, Gerson Guariente, a não aprovação do Plano Diretor pela Câmara Municipal está inviabilizando a construção de casas para a população mais pobre.
''Faz dois anos que o plano está na Câmara e os vereadores não aprovam. Precisamos da criação das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), que estão no projeto'', afirma. As Zeis visam evitar a especulação imobiliária na região urbana. O proprietário de uma área determinada desta forma é obrigado a vender o imóvel ao Município.
O engenheiro da Cohab José Maria Bahls diz que o Minha Casa Minha Vida dá prioridade para os projetos que serão construídos nessas zonas. ''Se nós estivermos disputando um recurso com outra cidade cujo projeto será em Zeis, nós perdemos'', informa.
Mas, segundo Bahls, não é somente o atraso no plano diretor que está emperrando o programa federal. ''O Minha Casa Minha Vida 2 é muito mais exigente que o primeiro'', declara. Segundo ele, a nova versão busca corrigir falhas como a do Residencial Vista Bela (Zona Norte), entregue para os moradores sem infraestrutura como escolas, creches e postos de saúde.
Para isso, os projetos têm de ser analisados e aprovados por uma comissão com representantes do Município. Em Londrina, ela foi criada dia 26 de setembro. Outra novidade, segundo o engenheiro, é que agora as próprias empreiteiras podem construir parte dos equipamentos públicos.
De acordo com o estudo divulgado ontem pelo Sinduscon, há 42,8 mil famílias londrinenses, na faixa de renda entre zero e três salários mínimos, no cadastro da casa própria da Cohab. ''Há 7 mil habitações que precisam ser feitas urgentemente'', diz Guariente.
Ele diz que o sindicato e a Cohab irão fazer um projeto para atender a esse público. (N.B.)

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