A atuação do ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, levou os argentinos a olharem para o futuro com mais esperança. Isso é o que indica uma pesquisa da Ibope OPSM, que sustenta que ‘‘Mingo’’, como é conhecido popularmente o ministro, foi o responsável pelo aumento de mais de 20 pontos porcentuais no ‘‘nível’’ de esperança no último mês.
O nível dos primeiros dias de março, quando ainda era ministro o economista José Luis Machinea, estava em 29,3%. No entanto, depois da rápida passagem de Ricardo López Murphy, Cavallo tomou posse, recuperando os níveis de esperança, levando-os para 52,7% nestes primeiros dias de abril.
Segundo o Ibope, 81,5% dos argentinos consideram a situação econômica como ‘‘ruim ou muito ruim’’, enquanto que 13,1% a definem como ‘‘mais ou menos’’. Somente 5,1% acreditam que o país esteja ‘‘bem’’. Os mais otimistas são uma elite restrita, já que só 0,3% da população considera que a Argentina ‘‘está muito bem’’.
O governo está otimista. O vice-ministro da Economia, Daniel Marx, declarou que as projeções de abril indicam que a arrecadação do imposto sobre operações financeiras, inspirado na CPMF brasileira, estaria ao redor de US$ 220 milhões. ‘‘Com estes número vamos no bom caminho’’, disse Marx, com entusiasmo. Marx calcula que até o fim do ano o Tesouro arrecadará US$ 2 bilhões, e que no ano que vem poderia subir para US$ 2,7 bilhões.
Os bancos consideram que a arrecadação deste ano será maior, estando entre US$ 2,7 bilhões e US$ 4,5 bilhões. Por mês, o cálculo do setor privado é que a arrecadação será de US$ 300 milhões a US$ 500 milhões.
Hoje o governo leiloará US$ 700 milhões em Letras do Tesouro (Letes). As Letes dividem-se em US$ 350 milhões com prazo de 88 dias, enquanto que uma quantia equivalente terá prazo de 179 dias. A intenção é consolidar a situação financeira do governo, além de ser um termômetro de como o mercado está reagindo às recentes medidas econômicas.
Enquanto isso, o banco de investimentos Merrill Lynch anunciou que seu prognóstico para o crescimento da economia argentina para este ano caiu de 2% para 1,1%. Segundo o banco, esta previsão baseia-se na perspectiva de uma lerda expansão no primeiro trimestre deste ano. No entanto, acredita que – por causa de fatores externos – o país poderá sair da recessão este ano.
A Fundação Capital informou que no mês de março os depósitos bancários caíram US$ 4,4 bilhões, enquanto que as reservas internacionais tiveram uma redução de US$ 3,5 bilhões. (Ariel Palacios)

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