Millenials não são tão diferentes quanto parecem
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Uma pesquisa realizada pela Oxford Economics, companhia mundial de previsão e análise quantitativa para empresas e o setor governamental, em parceria com a SAP, empresa mundial de aplicações de software empresarial, mostrou que os chamados millenials os nascidos entre 1980 e 2000 não são tão diferentes das gerações anteriores quanto se prega.
Segundo o estudo, em 2020, existirão várias gerações trabalhando juntas, cada qual com suas competências, experiências hábitos e motivações. Entretanto, de acordo com a pesquisa, a maioria das empresas não estão preparadas para reter os talentos jovens, muito menos para aproveitar as oportunidades que surgem com esta nova força de trabalho.
Ao contrário do que se pensa, os jovens profissionais da geração dos millenials, ou da geração Y não são mais propensos a abandonar o trabalho em períodos de tempo menores que os profissionais das gerações anteriores. Mas para Marcelo Carvalho, diretor de Recursos Humanos da SAP Brasil, ainda assim, estes profissionais exigem uma direção, um plano de desenvolvimento para permanecerem no emprego. "O que frustra mais o funcionário não é a falta de perspectiva, é a falta de direção. Não ter horizonte na carreira é pior do que enxergar que não tem possibilidade de crescimento interno", afirma.
A SAP possui cerca de 1.300 funcionários no Brasil. Este ano, o SAP Labs Latin America, localizado em São Leopoldo (RS) foi considerado uma das melhores empresas para se trabalhar de uma publicação de renome nacional. De acordo com Carvalho, na SAP, os funcionários possuem um plano de desenvolvimento de carreira com orientações sobre as habilidades que precisam desenvolver. Todos os seus "goals" (objetivos) alcançados em treinamentos, por exemplo, ficam registrados em uma plataforma a que seus superiores têm acesso.
Estas informações ficam guardadas e possibilitam que gestores, de qualquer parte do mundo, possam gerenciar os recursos humanos da empresa da melhor forma possível. "Hoje em dia temos um banco de informações que nos permite consultar se temos determinado recurso, onde ele está e qual a sua disponibilidade para avaliar se vale a pena trazê-lo. Também permite realizar cursos em locais onde a demanda é maior."
O diretor de RH da SAP ressalta que, na empresa alemã, os jovens da geração Y já fazem parte do quadro de colaboradores, e o uso de tecnologia na gestão da empresa vem ao encontro das mudanças que esta geração traz.
Segundo a pesquisa da Oxford Economics, 48% dos executivos de empresas de entrevistados no Brasil afirmaram que possuem profissionais mais jovens e recém-formados em cargos de nível básico. Entretanto, menos da metade dos funcionários pesquisados diz que suas empresas oferecem treinamento amplo sobre as tecnologias, e menos de um terço afirma que as companhias garantem a eles acesso às tecnologias mais recentes.
Liderança
Na visão do diretor da SAP, para reter talentos da nova geração, as empresas também precisam aprender a incluir os funcionários do processo de liderança. "A liderança tem que envolver o funcionário na tomada de decisões. Ele e seu gestor é que vão decidir o que é melhor para a empresa." Para ele, retenção envolve o estímulo ao desenvolvimento profissional, à liderança e à política de flexibilidade. "Uma empresa assim não tem problemas grandes com retenção porque tem uma proposta de valor muito boa."


