Brasília - Apesar da contrariedade de técnicos da área econômica, a proposta de reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro não deverá incluir os militares, ao menos nessa primeira etapa. O argumento que vem sendo usado para justificar a medida é o de que eles estão sempre à disposição do Estado, tanto em serviço como após a reserva.

A ideia é aproveitar parte do texto enviado ao Congresso pelo então presidente Michel Temer, em 2017, deixando os integrantes das Forças Armadas fora do projeto de idade mínima para aposentadoria.

"Militar é uma categoria muito marcante, de farda. Militares, policiais, agentes penitenciários, Judiciário, Legislativo, Ministério Público possuem características especiais, que têm de ser consideradas e discutidas", disse o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz.

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, afirmou na terça (8) ao jornal Valor Econômico que os militares estão "excluídos da reforma da Previdência" por possuírem carreiras diferenciadas.

"As Forças Armadas são um seguro caro que toda Nação forte tem que ter. Temos uma proteção para essas especificidades da carreira. Se o nome é reforma da Previdência, não estamos nela", declarou o general àquele jornal.

Nesta quarta, durante a cerimônia de passagem do comando da Marinha, Azevedo e Silva, voltou a defender que os militares fiquem fora da reforma da Previdência, argumentando que a profissão possui "peculiaridades" e que isso demanda um "regime diferenciado" de aposentadoria.

Azevedo e Silva agradeceu ao almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que transmitiu o comando da Armada ao almirante Ilques Barbosa Junior. Segundo o ministro, o ex-comandante foi incansável na defesa de que os militares tenham um regime diferenciado.

"Diante das discussões sobre a reforma do sistema de proteção social dos militares, foi incansável no esforço de comunicar as peculiaridades da nossa profissão, que as diferenciam das demais, fundamentando a necessidade de um regime diferenciado, visando assegurar adequado amparo social aos militares das Forças Armadas e seus dependentes", disse o ministro.

A exclusão dos militares da reforma foi defendida pelo presidente Jair Bolsonaro durante a campanha e é dada como certa por ministros militares do governo.

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