Milho valoriza 76% em um ano no Estado
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quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
O preço do milho ao produtor subiu 76% no Paraná durante o último ano. Anteontem, a saca custava R$ 17,67 no Estado, frente aos R$ 10,00 recebidos pela mercadoria no mesmo período de 2001. A conjuntura é boa para o agricultor mas não anima a indústria moageira e abatedouros de frango (que usam o milho como ração). A valorização do grão aumenta o custo de produção dessas empresas, que acabam repassando a alta para o consumidor.
De acordo com engenheira agrônoma Vera Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a valorização é explicada pela quebra de 40% na safra do milho safrinha e pela redução no plantio por causa dos baixos preços de 2001. No Paraná, a área das lavouras diminuiram 20% no ano passado e devem ter queda de mais 7,5% na safra que está sendo plantada.
O resultado é que a produção do Estado deve despencar dos 12,7 milhões de toneladas para 9,4 milhões de toneladas. A queda de produtividade também afeta outros Estados brasileiros. Em 2001, o País produziu 42,2 milhões de toneladas, volume superior aos 35,7 milhões colhidos nas duas safras deste ano.
Para atender à demanda brasileira, que é de 36 milhões de toneladas, será preciso recorrer aos estoques. '' Por enquanto, a oferta ainda é maior que o consumo'', revelou Vera, lembrando que o País tem 1,3 milhão de toneladas de milho para ser ofertada até a próxima safra. ''É muito pouco'', analisa.
Outro fator que elevou os preços, de acordo com a agrônoma, foi a alta do dólar. Como o Brasil começou a exportar milho, o mercado interno teve que subir a cotação para concorrer com o mercado internacional. Esse ano, a previsão é exportar 1,5 milhão de toneladas. ''O cenário está favorável para a exportação. O dólar está caro e o Brasil oferece milho não transgênico, que é valorizado por muitos mercados.''
O produtor Adão de Pauli, de Londrina, espera lucrar com a venda das duas safras de milho deste ano. Ele têm 380 sacas estocadas e não pretende comercializar tão cedo. '' O plantio de verão está atrasado por causa da estiagem e quase ninguém colheu safrinha. Os preços devem ficar ainda melhores'', espera. De acordo com Vera Zardo, os agricultores estão segurando a mercadoria à espera de cotação mais alta. ''Esse comportamento também influencia na alta dos preços'', afirmou.


