Rio de Janeiro - A segunda prévia do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) deste mês, de 0,98%, foi a maior da série para o período desde setembro do ano passado, quando a segunda prévia foi de 1,04%. Também foi a maior alta do IPA (Índice de Preços no Atacado) desde setembro passado. Na segunda prévia de abril o IPA ficou 1,35% e, em setembro de 2003, foi de 1,37%. Já o IPC caiu na segunda prévia, de 0,38% em março para 0,22% neste mês. O INCC também caiu de 1,19% para 0,55%, respectivamente.
Da alta de 1,35% do IPA, 0,47 ponto porcentual se deve a três itens: milho (6,56%), trigo (8,15%) e soja (10,10%). Esses três produtos responderam também por 0,32 ponto porcentual do 0,98% da segunda prévia do IGP-M. Os produtos agrícolas no atacado subiram em média 1,32% e os produtos industriais, 1,36%. Entre os industriais que mais subiram estão os subgrupos de ferro, aço e derivados (3,7%) e minerais não-ferrosos (3,60%).
O economista da FGV, Aloisio Campelo, observou que as empresas estão tendo ''muita dificuldade'' para repassar ao varejo a alta no atacado. No IPC, a desaceleração se deve principalmente aos grupos alimentação (0,09%), transportes (-0,61%) e despesas diversas (0,85%). O grupo habitação, apesar de ter desacelerado a alta em relação ao mês passado, passando de 0,47% para 0,38%, foi o maior responsável pela inflação ao consumidor, respondendo por 0,11 ponto porcentual no resultado de 0,22% do IPC na segunda prévia.
Neste grupo, os itens que mais influenciaram na alta foram o gás de botijão (2,12%), taxa de água e esgoto (1,05%) e eletricidade (0,39%). No INCC, todo o aumento se deve à alta de 1,06% em materiais e serviços. Não houve aumento no grupo de mão-de -obra.
IPC da Fipe - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP para a cidade de São Paulo, foi de 0,08% na segunda quadrissemana de abril. O porcentual superou um pouco o da primeira prévia do mês, de 0,06%, mas ficou dentro do previsto pelos analistas ouvidos pelo Estado, que esperavam resultado entre 0,06% e 0,11%. Ao contrário, porém, do que acreditavam os analistas, o grupo Alimentação não liderou a alta do período. O item, que recuou 0,36% na primeira quadrissemana, teve queda ainda mais acentuada (-0,51%) na pesquisa divulgada ontem.
A maior alta, de 0,65%, foi do grupo Saúde, e ficou muito acima dos 0,15% da primeira prévia. Transportes, que na semana passada havia caído 0,06%, teve aumento de 0,27%. Vestuário, apontado pelos analistas como grande pressionador da inflação do período, teve alta inferior à da semana passada, de 0,52% para 0,17%.
A pequena alta dos preços na segunda prévia do IPC eliminou qualquer possibilidade de o índice apontar deflação em abril, segundo a Fipe. Por isso, o coordenador do IPC, Paulo Picchetti, manteve a sua previsão de inflação para o mês entre 0,15% a 0,20%. Para o ano, a previsão também foi mantida, entre 5,5% e 6%.

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