O último levantamento da safra 2011/12 divulgado ontem pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) aponta uma redução de 1,7% na produção brasileira de grãos. Para o atual ciclo, a entidade estima um volume total de 160,06 milhões de toneladas, ante 162,80 milhões de toneladas em comparação com a safra anterior. Mesmo o incremento de área da soja por exemplo - ampliada em 3,5% no atual ciclo, totalizando mais de 25 mil hectares -, não amenizou os estragos da seca que atingiu principalmente as lavouras do Sul do País. Ao todo, o Brasil deverá produzir neste ano quase 66,7 mil toneladas de soja, 11,5% a menos do que na safra anterior.
Já o milho primeira e segunda safra deverá fechar o ano com saldo positivo. Para o atual ciclo é esperada uma produção de mais de 65,9 mil toneladas, volume 14,8% superior ao registrado no ano passado. Um dos motivos, divulgado pelos analistas da Conab foi a ampliação da área plantada em 11,9% neste ano, totalizando 15,45 mil hectares resultantes das duas safras.
No Paraná, segundo a última estimativa, a safra de grãos 2011/12 deve chegar a 31,02 milhões de toneladas, o que representa 290 mil toneladas a mais do que o previsto pelo levantamento de março. Mesmo assim, a safra ainda deve ser 3% inferior aos 31,95 milhões de toneladas do ano passado. O desempenho é resultado da estiagem que atingiu as lavouras de verão no Estado e ocasionou quebra de 24% para a soja, de 20% para o feijão primeira safra e de 16% para o milho primeira safra, cuja previsão inicial era de atingir 7,65 milhões de toneladas.
Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), reforça que a estiagem não afetou as culturas com a mesma intensidade, acrescenta que o produtor está apostando na ampliação de área na safrinha para amenizar os prejuízos e diz que todos torcem para não gear forte.
Só no Paraná, o milho segunda safra recebeu um incremento de área de 1,7% em relação ao ciclo passado. Ao todo, o Estado plantou 1,98 milhões de hectares do grão. A produção esperada para o período é de 9,98 milhões de toneladas, ante 6,36 milhões da safra 2010/11.
''Até agora, as condições climáticas têm favorecido o cultivo da segunda safra de milho, por isso o balanço positivo'', argumenta Garrido. ''O grão ainda está rentável, já que os preços estão cada vez melhores. Atualmente, a saca é comercializada a R$ 20,84 a saca'', complementa. Segundo ele, o valor já cobre os custos de produção e dá margem de lucro ao produtor que pode variar de região para região. Aproveitando os bons preços de mercado, o economista do Deral destaca que 65% dos 96% da safra colhida de milho já foi comercializado. Se comparado ao mesmo período do ano passado, o atual volume de negócios é 45% maior. Em relação à soja, completa Garrido, 78% já foi comercializada.
Produção nacional
Ainda de acordo com o levantamento da Conab, as maiores reduções foram verificadas na soja, que apresentou queda de 8,64 milhões de toneladas, e no arroz, cuja retração foi de 1,81 milhão de toneladas. Em compensação, para o milho segunda safra, a previsão indica crescimento de 40,5%, equivalente a 8,70 milhões de toneladas. O estudo de campo envolveu 60 técnicos da Conab Matriz e Superintendências Regionais, que fizeram entrevistas e aplicaram questionários junto a agrônomos e técnicos de Cooperativas, Secretarias de Agricultura, órgãos de assistência técnica e extensão rural, agentes financeiros e revendedores de insumos.

Imagem ilustrativa da imagem Milho tem tudo para salvar safra 2011/12
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