O preço recebido pelo produtor de milho do Paraná está abaixo dos piores preços históricos. Ou seja, nem mesmo nos piores momentos da comercialização nos últimos anos o preço esteve tão baixo. A média, em dólar, desses períodos de baixa, tem sido de US$ 5,50/saca (R$ 10,82). Como hoje o produtor está recebendo, em reais R$ 8,45/saca, o preço, em dólar, não passa de US$ 4,3/saca), uma diferença de 75%.
Os cálculos são do representante do Paraná na Comissão de Grãos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Edison Mazei Ponti, presidente do Sindicato Rural de Londrina. Ele disse ontem, na Redação deste jornal, que o governo tem até meados de janeiro, no máximo, para acionar os mecanismos de compra ou financiamento, para enxugar o mercado e evitar a concentração de oferta. Mas o próprio Ponti teme que seja tarde demais.
Segundo Ponti, os técnicos da Conab, Ministério da Agricultura, Banco Central e Banco do Brasil têm várias alternativas. Podem lançar as opções de compra a R$ 10,85. A outra sugestão é que se escoe a produção do Paraná para outras regiões do País, através do PEP, Prêmio de Escoamento da Produção.
Dados mostrando a viabilidade dessas opções foram entregues pela Comissão de Grãos da CNA no início da safra, após discussões e estudos técnicos. Se o governo quiser pôr em prática algumas dessas medidas pode fazê-lo, com segurança, segundo Ponti.
O que intriga o presidente do Sindicato é que o ministro da Agricultura anunciaria em outubro as novas regras de comercialização; depois deixou para novembro ‘‘e acabou não anunciando nem em dezembro’’.
Para Ponti os governos vão acabar permitindo que aconteça com o milho o mesmo que ocorre hoje com o trigo. O Brasil é este ano o maior importador de trigo do mundo e o nosso abastecimento o mais vulnerável.
Ponti foi duro nas críticas aos governos estadual e federal. ‘‘Eles não têm compromisso com a produção; na verdade não têm compromisso com o interior do Brasil. O presidente Fernando Henrique Cardoso é um cosmopolita e Lerner um urbanista’’, resumiu.
A Comissão de grãos da Faep e CNA alertou, seis meses atrás, para os riscos que seria um excesso de estímulo ao milho tanto pelo mercado como através do governo. Distribuíram sementes com problema quando o ideal seria planejar uma comercialização gradual, bem distribuída, que não aviltasse os preços.
O preço do milho está tão baixo que uma cooperativa conseguiu exportar milho para a Espanha US$ 97,00/saca (R$ 190,00/t ou R$ 11,40/saca posto porto Paranaguá).

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