Milho safrinha sofre quebra de 45% no Norte do Estado
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Mariana Fabre <br>Reportagem Local 
Região teve maior prejuízo em relação à estimativa inicial de produção; no Paraná, geadas provocaram redução de 6% em relação à safra de grãos 2009/10
As adversidades climáticas registradas em abril e junho provocaram redução significativa na safra de inverno paranaense, que sofreu queda de 24% em comparação ao ano anterior. Os maiores prejuízos ocorreram com as lavouras de milho segunda safra, que deve somar uma produção de 5,19 milhões de toneladas na safra 2010/11, uma diminuição de 37% em relação à previsão inicial de 8,19 milhões de toneladas. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a Região Norte, responsável por 36% da produção do grão, registrou a maior quebra do Estado, com prejuízo de 45%.
De acordo com o economista do Deral, Marcelo Garrido, o prejuízo do milho foi causado pelo plantio tardio da cultura, consequência das chuvas que atrasaram a colheita da soja. ''Além disso, no Norte do Estado geadas com a forte intensidade registrada esse ano são de rara ocorrência'', argumenta. Outras regiões atingidas com a quebra de produção foram a Oeste, Centro-Oeste, que concentram 52% do milho-safrinha, e registraram quebras de 37% e de 26%, respectivamente.
''Em abril e junho as lavouras sofreram com a estiagem, depois vieram as fortes geadas de 27 e 28 de julho, que ainda foram seguidas por chuvas'', relata Garrido, esclarecendo as causas para os altos prejuízos na safra. Mesmo com a área recorde de 1,72 milhão de hectares de milho segunda safra, 26% acima da safra anterior, o potencial produtivo não se concretizou, provocando prejuízos de R$ 1,22 bilhão aos produtores.
Segundo o economista, a produtividade do milho safrinha sofreu redução de quase 37% em comparação à estimativa inicial, passando de 4.760 kg/ha para 3.000 kg/ha após as geadas. Marcelo Garrido afirma que ainda é preciso aguardar o avanço da colheita para determinar as perdas na qualidade dos grãos. Segundo ele, até o momento apenas 12% do milho paranaense está colhido.
Trigo
As lavouras de trigo, mais adaptadas ao inverno, sofreram quebra de 12%. A previsão inicial de produção era de 2,87 milhões de toneladas, mas após as geadas a estimativa passou para 2,53 milhões de toneladas. De acordo com o Deral, essa redução deve acarretar em prejuízo de R$ 147 milhões ao produtor. Garrido explica que o trigo sofreu menores consequências pois o plantio foi realizado de forma mais tardia no Estado e concluído recentemente em algumas regiões, após a ocorrência das geadas.
As pastagens, normalmente afetadas pelo inverno, foram ainda mais danificadas pelas geadas. Segundo o Deral, a redução na captação do leite nas propriedades pode chegar à 20%.


