O ritmo da exportação do agronegócio brasileiro fechou o semestre desacelerado, bem similar à economia do País. Apesar de junho ter sido um mês de números positivos – com US$ 9,61 bilhões em vendas externas e crescimento da receita de 4,7% -, a conta dos seis meses fechou no vermelho em comparativo ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Entre janeiro e junho de 2014, as exportações caíram de US$ 49,5 bilhões para US$ 49,1 bilhões: uma retração de 0,9%. Em contrapartida, as importações tiveram leve incremento – de US$ 8,31 bilhões para US$ 8,33 bilhões, alta de 0,2%. Portanto, no cálculo da balança comercial, o superavit (exportações menos importações) sofreu queda de 1,1%. A queda foi puxada pela redução nas exportações do milho em 36,6%.
Os números do Paraná, segundo o Mapa, serão divulgados na semana que vem. Mas não deve ter muitas mudanças em relação à análise de maio. De forma geral, o que segurou os valores brasileiros de exportação bem próximos ao primeiro semestre do ano passado, mais uma vez, foi o complexo soja.
Foram enviadas 39 milhões de toneladas da oleaginosa em grãos, farelo e óleo no período, alta de 20,1% contra os 32,4 milhões do primeiro semestre de 2013. Em valores, a alta foi de 16,7%, atingindo a marca de US$ 20,2 bilhões. Até maio, o incremento dos valores do produto no Estado era de 32%. "Ano passado o Brasil exportou um total de US$ 100 bilhões e este ano é nítido que a movimentação está menor. A soja é o produto que está mais adiantado, já que tivemos um primeiro semestre de preços melhores e agilidade para a exportação. É um temor que a safra norte-americana pressione os preços daqui para frente", explica o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra.
Outros produtos que fecharam o semestre no positivo foram a carne bovina e os produtos florestais. No caso da carne, o valor saltou de US$ 3 milhões para US$ 3,3 milhões (12,1%) e a quantidade de 680 mil toneladas 755 mil toneladas (11,1%). No caso dos produtos florestais, o incremento maior foi na quantidade: de 7,4 milhões de toneladas para 8,2 milhões, alta de 10,7%.
O grande responsável pela queda nas exportações do período foi o milho. Foram apenas 5,3 milhões de toneladas exportadas no semestre contra 8,4 milhões do ano passado, uma diminuição de 36,6%. Já o valor caiu de US$ 2,3 bilhões para US$ 1 bilhão, retração de 54,9%. No Paraná, a queda do valor até maio foi de 66,4%. "Devido aos baixos preços de comercialização, os produtores resolveram segurar a cultura aguardando uma possível valorização para, aí sim, exportar", relata o gerente técnico da Ocepar.
O problema é que para atingir a marca de US$ 100 bilhões do ano passado, o Brasil exportou em torno de 25 milhões de toneladas do grão. "Manter esse milho aqui, além de fazer com que o País não atinja os números de exportação do ano passado também acaba pressionando os preços do mercado interno devido ao grande volume do produto", finaliza.

Imagem ilustrativa da imagem Milho puxa queda das exportações no semestre