Milho puxa queda das exportações no semestre
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sexta-feira, 11 de julho de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O ritmo da exportação do agronegócio brasileiro fechou o semestre desacelerado, bem similar à economia do País. Apesar de junho ter sido um mês de números positivos com US$ 9,61 bilhões em vendas externas e crescimento da receita de 4,7% -, a conta dos seis meses fechou no vermelho em comparativo ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Entre janeiro e junho de 2014, as exportações caíram de US$ 49,5 bilhões para US$ 49,1 bilhões: uma retração de 0,9%. Em contrapartida, as importações tiveram leve incremento de US$ 8,31 bilhões para US$ 8,33 bilhões, alta de 0,2%. Portanto, no cálculo da balança comercial, o superavit (exportações menos importações) sofreu queda de 1,1%. A queda foi puxada pela redução nas exportações do milho em 36,6%.
Os números do Paraná, segundo o Mapa, serão divulgados na semana que vem. Mas não deve ter muitas mudanças em relação à análise de maio. De forma geral, o que segurou os valores brasileiros de exportação bem próximos ao primeiro semestre do ano passado, mais uma vez, foi o complexo soja.
Foram enviadas 39 milhões de toneladas da oleaginosa em grãos, farelo e óleo no período, alta de 20,1% contra os 32,4 milhões do primeiro semestre de 2013. Em valores, a alta foi de 16,7%, atingindo a marca de US$ 20,2 bilhões. Até maio, o incremento dos valores do produto no Estado era de 32%. "Ano passado o Brasil exportou um total de US$ 100 bilhões e este ano é nítido que a movimentação está menor. A soja é o produto que está mais adiantado, já que tivemos um primeiro semestre de preços melhores e agilidade para a exportação. É um temor que a safra norte-americana pressione os preços daqui para frente", explica o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra.
Outros produtos que fecharam o semestre no positivo foram a carne bovina e os produtos florestais. No caso da carne, o valor saltou de US$ 3 milhões para US$ 3,3 milhões (12,1%) e a quantidade de 680 mil toneladas 755 mil toneladas (11,1%). No caso dos produtos florestais, o incremento maior foi na quantidade: de 7,4 milhões de toneladas para 8,2 milhões, alta de 10,7%.
O grande responsável pela queda nas exportações do período foi o milho. Foram apenas 5,3 milhões de toneladas exportadas no semestre contra 8,4 milhões do ano passado, uma diminuição de 36,6%. Já o valor caiu de US$ 2,3 bilhões para US$ 1 bilhão, retração de 54,9%. No Paraná, a queda do valor até maio foi de 66,4%. "Devido aos baixos preços de comercialização, os produtores resolveram segurar a cultura aguardando uma possível valorização para, aí sim, exportar", relata o gerente técnico da Ocepar.
O problema é que para atingir a marca de US$ 100 bilhões do ano passado, o Brasil exportou em torno de 25 milhões de toneladas do grão. "Manter esse milho aqui, além de fazer com que o País não atinja os números de exportação do ano passado também acaba pressionando os preços do mercado interno devido ao grande volume do produto", finaliza.



