Mariangela Heredia
Agência Estado
Assim como na época do regime militar os aumentos da inflação eram atribuídos ao preço do chuchu, no ano 2000 o milho poderá ser um dos maiores responsáveis pela alta do custo de vida. Desde outubro, o preço do produto já subiu mais de 50% em todo o País, chegando a 100% em alguns locais, e os estoques oficiais estão baixos, em cerca de 1,3 milhão de toneladas.
Segundo o diretor de Abastecimento do Ministério da Agricultura, Vilmondes Olegário, o governo entrará janeiro atuando fortemente no mercado, e vai colocar em leilão todo o estoque restante para conter a alta dos preços até março.
O plantio da safra na Região Centro-Sul atrasou em consequência da escassez de chuvas e o produto novo que tradicionalmente começa a entrar no mercado em janeiro só deverá chegar em março, o que complicará ainda mais o abastecimento.
De acordo com as estimativas do governo, no primeiro trimestre deixarão de entrar no mercado 1,4 milhão de toneladas de milho em comparação com o mesmo período do ano passado.
‘‘O receio é que as grandes empresas consumidoras de milho retornem ao mercado em meados de janeiro para recompor seus estoques e acabem provocando a elevação dos preços’’, disse o diretor.
Ele informou que os estados de São Paulo e Minas Gerais estão na situação mais ‘‘delicada’’ de abastecimento de milho no País. São Paulo porque é um importador líquido do Paraná e Goiás, que estão sem o produto. E Minas porque exportou sua produção para outros Estados e agora não tem como se abastecer do produto.
Estoques O baixo estoque de milho do governo será dividido para atender pequenos produtores - através do programa de venda em balcão - e o mercado em geral - através dos leilões. Em janeiro serão leiloadas 180 mil toneladas de milho para o Centro-Sul, em três vendas semanais.
No Nordeste, o governo continuará oferecendo 20 mil toneladas por semana nos leilões. Do total de 1,3 milhão de toneladas em estoque, 550 mil toneladas serão destinadas a venda em balcão e a quantidade máxima que cada pequeno produtor pode comprar - de 15 toneladas - poderá ser ampliada para 30 toneladas, dependendo das necessidades.
‘‘Como o estoque é pequeno não faz sentido o governo ficar segurando o produto, já que o esforço tem de ser feito agora para evitar ações especulativas no mercado’’, avaliou o diretor de Abastecimento do Ministério da Agricultura.
Ele acredita, no entanto, que não haverá muito espaço para especulação porque os preços do mercado interno já estão próximos dos valores de importação do produto, de R$ 14 a R$ 14 50 por saca. ‘‘Este preço hoje já viabiliza as importações da Argentina, mas o receio é que ocorram movimentos pontuais de elevação de preços por questões locais’’, observou.
Importações O Brasil deverá importar no ano que vem 1,8 milhão de toneladas de milho, 500 mil a mais que neste ano. A mais recente estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica um aumento de apenas 1% na produção brasileira de milho da safra 1999/2000, chegando a 32,7 milhões de toneladas.
De todos os grãos produzidos no País, o abastecimento de milho é considerado o problema mais sério e que tem despertado maior atenção do governo. Além de intensificar os leilões e as vendas em balcão, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, anunciou recentemente o lançamento, em janeiro, de contratos de opção para a venda futura do milho.
Sorgo Com o desequilíbrio entre a oferta e demanda do produto no ano 2000, o Ministério da Agricultura estima que deverá aumentar o plantio de milho e possivelmente sorgo, milheto e triguilho. O diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, disse que o BB prevê um crescimento maior da produção de milho, de 4%, mas concorda que o abastecimento do produto é o mais complicado no momento. ‘‘O certo é que aqueles que plantaram milho irrigado para colher em janeiro, vão rachar de ganhar dinheiro’’, resumiu.
O diretor de Abastecimento do Ministério da Agricultura disse que será preciso conversar muito com o setor para definir as estratégias que serão adotadas. ‘‘O frango é um setor importante que gerou este ano cerca de US$ 900 milhões em receitas cambiais e vamos procurar amparar o abastecimento de milho da melhor maneira possível’’, concluiu.O preço do produto vai disparar; importação, inviável, será pequena; estoques do governo estão quase ‘‘zerados’’
PRODUTO NOBREO milho tem papel importante no abastecimento. Falta do produto deve puxar inflação do ano que vem, na previsão dos técnicos. Em janeiro, o governo vai leiloar todo seu estoque de 1,3 milhão de t. Mas é pouco

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